Fechamento do Lixão de Gramacho.

Na cerimônia, Minc enfatizou que será instalado na região um polo reciclador para o reaproveitamento de cerca de 400 catadores em atividades de reciclagem de lixo

Ascom SEA

por Sandra Hoffmann

Trinta e quatro anos após o início de sua operação, o Aterro Controlado de Gramacho – síntese de um drama ambiental e social da cidade do Rio de Janeiro – encerrou hoje (03/06) suas atividades. A cerimônia de encerramento contou com as presenças do prefeito do Rio, Eduardo Paes, da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, do secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, da presidente da Comlurb, Ângela Fonti, e dos secretários municipais de Conservação e de Meio Ambiente do Rio, Carlos Osório e Carlos Alberto Muniz, respectivamente, além de vários catadores que atuaram em Gramacho.

Em um ato simbólico para marcar o fechamento do aterro controlado, a bordo de um trator, o prefeito e a ministra, junto com dois catadores, aterraram os últimos resíduos jogados no local. Na área do aterro fechado hoje, funcionará uma usina de biogás.

O secretário Carlos Minc disse que o fechamento do Aterro Controlado de Gramacho representa uma importante conquista para a história ambiental da cidade pois, situado às margens da Baía de Guanabara, era um dos que contribuíam para poluir ainda mais suas águas. “Representa também o fim de um drama social, pois os catadores faziam a coleta, em meio a ratos e urubus, sem qualquer proteção, expostos a várias doenças”, disse, reiterando que, até o final deste ano, todos os lixões em municípios do entorno da Baía de Guanabara serão erradicados.

Desde o início do ano passado, quando ficou claro que a Prefeitura do Rio conseguiria fechar o aterro de Gramacho, a partir da instalação de uma central de tratamento de resíduos sólidos em Seropédica, o secretário Carlos Minc e sua equipe passaram a coordenar iniciativas para a implementação de alternativas de trabalho e renda para os catadores. Na cerimônia de hoje, Minc enfatizou que será instalado na região um polo reciclador para o reaproveitamento de cerca de 400 catadores em atividades de reciclagem de lixo que agreguem valor ao produto, como, por exemplo, no uso de moinho de garrafas PET e um compactador.

“O objetivo é dar a eles uma vida mais digna. Outro desafio será recuperar esta área, transformando Gramacho em um bairro sustentável. Dos recursos obtidos com a venda do gás metano, 18% serão destinados à recuperação ambiental deste bairro”, completou o secretário, ressaltando que o gás metano, captado em Gramacho, é fornecido para a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras.

A ministra Izabella Teixeira disse que o Aterro de Gramacho seria uma das manchas da cidade durante a Rio-92, e que a meta nacional é o encerramento de todos os lixões até 2014.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, depois do pagamento de indenizações para os últimos catadores pela Prefeitura do Rio, o município de Duque de Caxias terá que criar mecanismos de inclusão social. O prefeito anunciou que dentro de 15 dias vai inaugurar o primeiro centro de reciclagem da cidade, em Irajá.

“O Rio, nos próximos 15 anos, vai aplicar R$ 2 bilhões para o tratamento de resíduos sólidos”, afirmou Paes, referindo-se ao investimento total necessário para o tratamento do lixo da Cidade do Rio de Janeiro, neste período, com o fechamento do aterro de Gramacho.

Repartida por cerca de 1.700 catadores que atuaram na região, a quantia de R$ 21 milhões, destinada ao Fundo de Participação dos Catadores de Gramacho, foi antecipada, em cota única, pela Prefeitura do Rio, que receberá então, em 15 parcelas anuais, o reembolso da empresa que explora o gás metano produzido no aterro.

Para o presidente do Conselho de Lideranças de Gramacho, Tião Santos, o fechamento do Aterro Controlado de Gramacho representa um novo ciclo de vida para os catadores, mas a luta continua. “Agora, é pensar na qualificação profissional e na inserção dos catadores no mercado formal de trabalho. Foi esse lixo recolhido pelos catadores que sustentou muitas famílias. Vamos continuar lutando, pois há um bairro para ser recuperado”, disse.

Para a catadora Simone de Souza, 38 anos, que atuou no aterro de Gramacho por 12 anos, o seu fechamento representa uma nova história de vida para ela. “Assim que soube que o aterro iria fechar, procurei me qualificar. Fiz o curso de eletricista de obra e vou começar a trabalhar nas obras do PAC, em Triagem, na quarta-feira. Com o dinheiro da indenização, pretendo comprar um imóvel. Fico preocupada com os outros catadores, pois muitos não têm qualificação profissional, e só sabem trabalhar com isso”, disse.

O Aterro Controlado de Gramacho recebia, até abril de 2011, aproximadamente 9.500 mil toneladas/dia de lixo do Rio de Janeiro (75%), Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis, Queimados e Mesquita (25%). Com o encerramento, todo o lixo que era levado para Gramacho passa a ser transferido para a Central de Tratamento de Resíduos, em Seropédica.

Foto Luiz Morier

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