O Lixo virou Luxo

O secretário Carlos Minc desfilou usando um colete que vira bolsa, feito de banner usado

Ascom SEA

por Sandra Hoffmann

Retalhos de tecidos, jeans surrados e banners que seriam descartados foram transformados em acessórios de luxo por jovens da comunidade pacificada do Complexo do Alemão. As peças foram apresentadas hoje (12/06) no desfile da coleção de moda sustentável O Lixo virou Luxo, na Estação Teleférico de Bonsucesso, na Zona Norte da cidade. As peças foram apresentadas pelos próprios jovens e pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que desfilaram com os acessórios reciclados em uma passarela montada em plena estação.

Cerca de 60 peças, com destaque para a coleção de bolsas, chapéus e acessórios confeccionados a partir de lonas decorativas usadas no último Fashion Rio, foram apresentadas por 40 modelos, escolhidos em uma seleção na própria comunidade.

A coleção foi confeccionada por jovens inscritos nas oficinas de moda realizadas na Fábrica Verde, do complexo de favelas do Alemão. Durante as oficinas, os alunos aprenderam técnicas de moda sustentável e de reaproveitamento de materiais como banners, lonas e retalhos.

O secretário Carlos Minc, que desfilou usando um colete que vira bolsa, feito de banner usado, disse que a próxima comunidade pacificada a receber as oficinas de costura, modelagem e customização será a Rocinha. A expectativa é capacitar cerca de 90 jovens da Rocinha.

“A comunidade pacificada da Mangueira deve receber, também a partir do próximo mês, o curso técnico do projeto Eco Moda. Ele terá duração de um ano e vai beneficiar 450 pessoas da comunidade.”, destacou Minc.

A superintendente de Território e Cidadania, da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), Ingrid Gerolimich, disse que, ao final do curso que será realizado na Mangueira, será apoiada a criação de uma marca de moda e a formação de uma cooperativa.

O desfile é resultado da parceria entre a Superintendência de Território e Cidadania da SEA, o Empório Almir França e a Escola de Moda da Universidade Cândido Mendes, em Ipanema.

Estilista responsável pelas oficinas, Almir França disse que a iniciativa é importante para que os moradores das comunidades encontrem uma opção de carreira.

“Reaproveitamos resíduos de tecidos de confecções e também contamos com a doação dos materiais cenográficos do último Fashion Rio. Os banners e lonas se transformaram na coleção de bolsas e chapéus”, contou.

Moradora do Complexo do Alemão, Jéssica Cristhine, 14 anos, foi uma das alunas do curso. Ela também participou do desfile como modelo. “O curso foi importante para minha formação. Além disso, foi a primeira vez que desfilo, e sonho em seguir essa carreira”, disse.

Foto Luiz Morier

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