Voos de helicópteros terão medidas restritivas

Em reunião na SEA, representantes de associações de moradores aprovaram as novas regras detalhadas pelo secretário Carlos Minc

Ascom SEA

por Sandra Hoffmann

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, reuniu-se hoje (20/08) com representantes de associações de moradores de bairros da Zona Sul e do Movimento Rio Livre de Helicópteros Sem Lei afetados pelo impacto sonoro dos voos panorâmicos de helicópteros em pontos turísticos da cidade. No encontro, Minc detalhou as novas regras que visam a disciplinar esses voos, dentre elas, sobrevoos com altura mínima de 1.500 pés e a proibição de voos completos ao redor da estátua do Cristo Redentor, no Corcovado.

As novas regras foram definidas no último dia 14, em reunião entre o secretário e dirigentes do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além de representantes de associações de pilotos de helicópteros, de empresas de táxi aéreo, do Instituto Chico Mendes (ICMBio), da Prefeitura do Rio e das torres dos aeroportos Tom Jobim e Santos Dumont.

No encontro de hoje com Minc, os representantes de associações de moradores dos bairros da Zona Sul aprovaram as medidas apresentadas, e agradeceram ao secretário o seu empenho em buscar uma solução que preservasse a saúde auditiva da população.

Os representantes, no entanto, fizeram uma ressalva ao que foi determinado, solicitando a adoção de alguma medida com relação à frequência dos voos. A proposta será avaliada pelos técnicos da Secretaria de Estado do Ambiente e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Uma das coordenadoras do Movimento Rio Livre de Helicópteros Sem Lei, Vera Maurity, destacou que, em 12 de agosto, Dia dos Pais, representantes do movimento fizeram uma inspeção visual no heliponto da Lagoa, na Zona Sul do Rio, em relação ao número de sobrevoos:

“Em um período de três horas, contabilizamos 46 movimentos de helicópteros, sendo 36 da Companhia de Táxi Aéreo Helisul e o restante, de voos particulares. Nós constatamos um ruído absurdo nesse período. Então, pedimos ao secretário Carlos Minc que leve em conta esta nossa reivindicação”, disse Vera, que entregou para o secretário um relatório sobre essa inspeção visual.

A presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab), Regina Lúcia Farias de Abreu Chiaradia, disse estar satisfeita com as medidas. Ela conta que percebeu uma melhora significativa no impacto sonoro provocado pelos voos dos helicópteros em Botafogo.

Regina sugeriu ao secretário que inclua mais um ponto, no bairro de Humaitá, de monitoramento dos ruídos de helicópteros, pelos técnicos do Inea. A SEA havia definido quatro pontos de monitoramento: nas proximidades do Hospital da Lagoa, no Mirante Dona Marta, no Humaitá e na Urca. Segundo o diretor de Informação e Monitoramento Ambiente do Inea, Carlos Alberto Fonteles, a expectativa é de que esse trabalho comece em outubro.

Participaram da reunião representantes das associações de moradores de Botafogo (Amab), do Alto-Jardim Botânico, de Ipanema e do Alto-Humaitá, além do Movimento Rio Livre de Helicópteros Sem Lei.

As medidas que visam a um maior controle dos voos panorâmicos por pontos turísticos da Cidade do Rio de Janeiro, apresentadas hoje para as associações, valem para todas as empresas de helicópteros.

A maior parte das medidas acertadas em reunião promovida na semana passada constava de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado, no final de julho, entre a SEA, Inea, ICMBio e a empresa de táxi aéreo Helisul. Agora, foram estendidas para todas as empresas que promovem voos de helicópteros por áreas turísticas do Rio de Janeiro – e com mais restrições.

Pelo TAC, por exemplo, a Helisul havia se comprometido, em seus voos panorâmicos pelo Cristo Redentor, a aumentar de 100 para 600 metros o raio das voltas em torno da estátua do Cristo. Agora, essas voltas foram proibidas. Ou seja: todas as empresas terão que fazer voos panorâmicos ao largo da estátua, sem dar voltas.

Pelo TAC, foram também encerradas três rotas de voos – que passavam sobre o Jardim Botânico, Botafogo, Humaitá e Urca –, alterado o traçado de outras seis – com os novos percursos privilegiando o mar de Copacabana e Ipanema, a Baía de Guanabara e a Floresta da Tijuca – e aumentada a altura mínima dos voos de 500 para 1.000 pés. Agora, a altura mínima subiu para 1.500 pés. Além disso, os voos pela Glória e Lapa, em direção ao Maracanã, foram proibidos.

Outros pontos acordados no TAC com a Helisul foram mantidos e estendidos para todas as empresas: serão proibidos os voos cedo pela manhã e à noite, adotando-se um horário mais restrito de operação: das 9h ao pôr do sol (atualmente, 17h30); e não haverá mais voos em volta do Pão de Açúcar (apenas ao largo do monumento natural, passando pelo litoral) e pela Enseada de Botafogo.

Na reunião da semana passada, Minc reafirmou que o Decea também adotou uma série de medidas no que diz respeito ao aeroporto de Jacarepaguá, como determinar sobrevoos na região que privilegiem a entrada e a saída pelo mar, com mais altura ou sobrevoando a Avenida Ayrton Senna. O objetivo é diminuir o impacto sonoro no bairro de Jacarepaguá.

Outro problema a ser atacado pelas autoridades aeronáuticas, a pedido de Minc, será o heliponto do Recreio. Minc solicitou  à Anac e ao Decea que avaliem circuitos de menor impacto para o heliponto do Recreio, que é muito utilizado e com quem  será firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Foto: Luiz Morier

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