SEA interdita duas empresas por poluir Rio Calombé

Três companhias acabaram multadas por despejo de óleo tóxico em bairro de Duque de Caxias

Ascom SEA

por Rodrigo Burgos

Em blitz ecológica promovida hoje (6/9) pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), no bairro Chácara Rio Petrópolis, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, três empresas foram autuadas e multadas por poluição ambiental. Duas delas foram interditadas por poluir o Rio Calombé com o despejo de produtos tóxicos.
Dois diretores das empresas interditadas foram detidos e encaminhados para a delegacia policial da região: Natalino Martins Machado, da Leusado, e Haastari Pimentel de Azevedo, da Nero 20, vão responder por crime ambiental. Empresas de limpeza de óleo e descontaminação de tanques de navios, de caminhões-tanque e de depósitos de combustíveis, a Leusado e a Nero 20 despejavam o produto das operações de limpeza diretamente no Rio Calombé.
Há poucos dias, devido à alta concentração de óleo boiando em suas águas, o rio pegou fogo, atingindo casas do entorno e intoxicando 30 pessoas. O fogo foi provocado por um morador que queimava lixo no terreno de sua casa, às margens do rio. As chamas se alastraram, atingindo o óleo inflamável que boiava no rio.
Ao participar da operação, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, ficou estarrecido com a cena que testemunhou:
“É um dos crimes ambientais mais pesados que já vi. Jogaram óleo em um rio, que pegou fogo. Além da multa, que pode chegar a R$ 50 milhões, as empresas poluidoras terão que pagar toda a restauração ambiental do Rio Calombé. Não podemos conviver com a impunidade ambiental. A Lei de Crimes Ambientais é clara: a obrigação de recuperar as áreas degradadas vai além da multa e da prisão”, afirmou o secretário.
Morador da região há mais de 30 anos, Damião Vieira elogiou a operação, pois sofria com a poluição ambiental. “Fiquei com problemas pulmonares por conta do forte cheiro de óleo que vinha do rio. Graças a Deus essa situação vai mudar. Não sabia mais por quanto tempo minha saúde iria aguentar.”
Terceira empresa vistoriada, a Transmar – que também atua no setor de limpeza e de descontaminação de óleo – não foi interditada porque, apesar de não estar trabalhando de forma adequada, lançava seus efluentes, com óleo sem tratamento, em galerias de águas pluviais da região, e não no leito do rio. Mas apesar de não ter sido interditada, também foi multada.
Técnicos do Inea realizaram coletas dos resíduos líquidos lançados nos corpos hídricos do bairro, para posterior análise do grau de contaminação.
A Nero 20 recebeu três multas: por descarte ilegal de produtos químicos, poluição do meio ambiente e por trabalhar em desacordo com sua licença ambiental. Na empresa, foram encontradas três caixas coletoras com óleo diluído por produtos químicos que era despejado no rio. Já a Leusado recebeu duas multas: por poluir o rio e também trabalhar em desacordo com sua licença ambiental. A Transmar foi multada pelo lançamento de óleos sem tratamentos em galerias de águas pluviais.
Batizada de Operação Calombé, a blitz contou com o apoio de técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Duque de Caxias, do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, de policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e do Comando de Polícia Ambiental (CPAm). O secretário municipal de Meio Ambiente de Caxias, Samuel Maia, participou da blitz.

Foto Luiz Morier
Anúncios