Operação Porco-Pirata apreende animais na APA de Guapimirim

SEA acaba com criação ilegal de porcos que causou o surgimento de vazadouro clandestino de lixo em área aterrada de manguezal

 

Ascom SEA

por Sandra Hoffmann

 

Dezenas de porcos criados ilegalmente em área protegida e sem as mínimas condições sanitárias foram apreendidos hoje (12/09) durante a Operação Porco-Pirata, deflagrada pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) em Itaoca, no Município de São Gonçalo, na região Metropolitana do Rio. Para criar esses animais, parte de uma área de manguezal, que pertence à Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, foi aterrada.

Com a participação do secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a ação foi promovida pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da SEA, com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Comando de Polícia Ambiental (CPAm).

Os porcos ocupavam irregularmente os arredores do lixão de Itaoca, em São Gonçalo, desativado há seis meses. A criação deles contribuiu para o surgimento de vazadouro clandestino de lixo a partir do aterramento de área de manguezal, com os resíduos sólidos sendo despejados por caminhões, em flagrante crime ambiental.

Laçados e imobilizados, 28 porcos foram levados para o Curral de Itambi, que mantém convênio com o Governo do Estado, no Município de Itaboraí. Após a apreensão dos porcos, as equipes demoliram uma pequena construção erguida no local, com auxílio de uma retroescavadeira.

Segundo o secretário Carlos Minc, a operação foi desencadeada a partir de denúncias recebidas pela SEA de que caminhões estavam despejando lixo nos arredores do lixão de Itaoca, que já havia sido desativado. Com o novo despejo clandestino, o local foi transformado em vazadouro e em um chiqueiro.

“Aqui, nós estamos pisando em área de manguezal que virou lixão e chiqueiro. Esses porcos, criados ilegalmente neste vazadouro de lixo, controlado por traficantes da área, são abatidos e sua carne é comercializada para churrascarias de Niterói e de São Gonçalo sem nenhum controle da vigilância sanitária. É, portanto, um crime sanitário. Além disso, de acordo com as denúncias que recebemos, restaurantes desta região jogam o seu lixo para alimentar esses animais. A ação de hoje tem a finalidade de coibir vários crimes: despejo ilegal de lixo, criação ilegal de porcos e destruição de manguezal, tudo isso sob a proteção de traficantes que cobram propina da turma que joga o lixo e da turma que cria os porcos. Não vamos permitir que o manguezal de Guapimirim vire um chiqueiro e nem que as pessoas consumam carne de porco sem condições sanitárias”, disse Minc.

O coordenador da Cicca, José Maurício Padrone, disse que a área passará por uma limpeza para que o manguezal possa ser recuperado. “Vamos construir barreiras para impedir o acesso dos caminhões até este local. Além disso, policiais do CPAm farão fiscalizações rotineiras para impedir o surgimento de novos lixões. Também vamos instalar cercas para limitar o acesso das pessoas.”

 

APA Guapimirim

O chefe da Estação Ecológica da Guanabara, o analista ambiental do ICMBio Maurício Muniz, explicou que a Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, criada em 1984, constitui a  primeira unidade de conservação do Brasil com o objetivo específico de conservação de manguezais. Com 14 mil hectares, a APA abrange parte dos municípios de Itaboraí, São Gonçalo, Guapimirim e Magé.

Segundo o ICMBio, as principais funções do manguezal são:

. Funcionar como filtro biológico, retendo material poluente e depurando a qualidade das águas;

. Controlar a erosão costeira provocada pelo batimento das ondas e por cheias excessivas dos rios, evitando assim o assoreamento de rios e baías;

. Contribuir para a riqueza das águas litorâneas através de exportação de matéria orgânica: o manguezal recebe compostos trazidos pelos rios e os recicla, transformando-os em matéria orgânica que servirá de alimento para os ecossistemas marinhos;

. É um ecossistema que serve de abrigo e é rico em alimentos, criando numerosos nichos para diferentes espécies de animais que ali passam toda ou pelo menos parte de suas vidas utilizando os diversos habitats para reprodução, alimentação e desenvolvimento, dentre outros.

Foto Luiz Morier

 

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