Secretaria do Ambiente interdita lixão de Guapimirim

Somando-se também o fechamento dos vazadouros de lixo em São Gonçalo, Belford Roxo e Caxias, Baía de Guanabara deixa de receber ‘um Maracanã’ de chorume por semana

Ascom SEA

por Sandra Hoffmann

 

Fotos: Luiz Morier

 

Último lixão situado às margens da Baía de Guanabara, o vazadouro de lixo de Guapimirim, na Região Metropolitana do Rio, teve hoje (25/09) suas atividades encerradas em operação realizada pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), com apoio de policiais do Comando de Polícia Ambiental (CPAm) e da Prefeitura de Guapimirim.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que acompanhou a operação, disse que com o fechamento desse lixão e os de Itaoca, em São Gonçalo, de Babi, em Belford Roxo, e de Gramacho, em Duque de Caxias, a Baía de Guanabara deixará de receber “um Maracanã” de chorume por semana.

“Guapimirim passará a descartar seus resíduos no aterro sanitário de Itaboraí, uma solução ecologicamente correta. Já os cerca de dez catadores que aqui atuam serão assistidos pela Secretaria de Estado do Ambiente e pelo Inea. A nossa meta é ajudar a Prefeitura de Guapimirim a organizá-los em cooperativa para atuarem na coleta seletiva do município. Os catadores são uma prioridade para a secretaria”, disse Minc.

O secretário afirmou que, com o fechamento do lixão, Guapimirim passará a receber mais R$ 450 mil de ICMS Verde. “Só com isso, o município poderá bancar o transporte dos caminhões e o despejo do seu lixo no aterro de Itaboraí.”

Além disso, explicou Minc, está para ser criado na cidade o Parque Municipal de Proteção Integral de Guapimirim, na área de amortecimento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), de aproximadamente 1.700 hectares, com recursos do próprio Comperj.

“Com isso, Guapimirim também vai ganhar pontos para o ICMS Verde. Somando o fim do lixão com a criação desse parque municipal, Guapimirim poderá receber cerca de R$ 900 mil, por ano, de ICMS Verde, o suficiente para a prefeitura pagar o transporte e o despejo do lixo, fazer a coleta seletiva e investir em outras questões ambientais”, completou Minc.

A presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, que também acompanhou a operação, disse que o Município de Guapimirim será incorporado no Programa Compra do Lixo Tratado. “Por esse programa, são repassados temporariamente a municípios, por convênio, recursos da ordem de R$ 20 por tonelada de resíduo sólido urbano que deixa de ser depositada em lixões, e que passa a ser destinada a aterros sanitários ou centrais de tratamento de resíduos devidamente licenciados. Em contrapartida, é cobrado dos municípios o atendimento a metas como, por exemplo, investimento na implantação e ampliação da coleta seletiva.”

Marilene disse ainda que, após o fechamento do lixão de Guapimirim, o próximo passo será preparar o processo de remediação desse lixão. “Com relação aos catadores, temos programas de coleta seletiva, e esses catadores vão ser convidados a participar de cooperativa de catadores. Eles serão organizados em condições sanitárias adequadas, porque esse trabalho que era feito no lixão não é digno para um ser humano”, disse a presidente do Inea.

Sem oportunidade para estudar, Maria Salete da Silva, de 50 anos, deixou o trabalho como empregada doméstica há dez anos em busca de melhores rendimentos para sustentar a filha e a casa, ao lado do marido. Por isso, tornou-se uma das catadoras do lixão de Guapimirim. No entanto, com o fechamento do lugar, espera dias melhores:

“Ficamos com medo, mas, com certeza, seria muito bom trabalhar em um lugar mais limpo. Temos esperança que as coisas vão melhorar para nós, e acreditamos na ajuda do governo. Eu tenho interesse em participar da cooperativa de catadores”, afirmou.

Os catadores serão cadastrados pelo Governo do Estado, e receberão cestas básicas e cerca de um salário mínimo como ajuda de custo, até que sejam organizados em cooperativas de catadores. A meta da Secretaria do Ambiente e do Inea é que esses catadores atuem em ações de coleta seletiva de lixo em Guapimirim.

Foto: Luiz Morier

Foto:Luiz Morier

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