Recuperação ambiental das lagoas da Barra tem apoio unânime em audiência pública

Orçadas em R$ 602 milhões, obras de resgate desse importante ecossistema e cartão-postal do Rio devem começar em fevereiro de 2013

Ascom SEA

por Sandra Hoffmann

 

Foto: Luiz Morier

 

Ao participar de audiência pública sobre o Programa de Recuperação Ambiental das Lagoas da Barra da Tijuca, na noite desta quinta-feira (27/09), na Câmara Comunitária da Barra, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, disse que a as obras devem começar em fevereiro de 2013. Orçado em R$ 602 milhões, o programa é parte das obrigações do Caderno de Encargos das Olimpíadas de 2016.

 

Em audiência expressiva, cerca de 150 pessoas – dentre os quais representantes da sociedade civil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de ambientalistas e da iniciativa privada – aprovaram o programa socioambiental de forma unânime, dando sugestões construtivas para o aperfeiçoamento das ações previstas.

 

Promovida pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), a audiência pública foi uma das etapas obrigatórias para a emissão da licença ambiental, licitação e execução das obras.

 

Na audiência, o secretário apresentou os detalhes do programa, que inclui a dragagem de aproximadamente cinco milhões de metros cúbicos de sedimentos das lagoas da região – Marapendi, Tijuca, Camorim e Jacarepaguá – e dos canais de Marapendi e da Joatinga. Também será prolongado o Quebra-Mar em 180 metros, na foz do Canal da Joatinga, com a construção de restaurante panorâmico, e instalada uma ilha-parque entre as lagoas do Camorim e da Tijuca.

 

A ilha, já existente, será encorpada e ampliada com parte do material resultante da dragagem que, compactado e encapsulado em geobags, formará a base de terreno onde será construído um novo espaço de lazer para a cidade e de incentivo à educação ambiental.

 

A ilha-parque será formada por trilhas, ciclovias, quadra de esportes e jardins – além de um centro de referência ambiental que funcionará como um núcleo de estudos avançados dedicado a ações de manejo da natureza da região; integrado por especialistas de universidades, da SEA e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

 

Satisfeito com o resultado da audiência pública, Minc destacou que o Programa de Recuperação Ambiental das Lagoas da Barra atende a antiga reivindicação dos moradores:

 

“Nós creditamos a realização deste programa à sociedade civil organizada da região, que tanto lutou e acreditou que esse programa seria possível, e que deve continuar participando, acompanhando e fiscalizando esse trabalho. Com a realização dessa audiência pública foi dada a largada para a execução do programa. Vamos recolher as sugestões aqui apresentadas, muitas da quais ótimas e que vão contribuir para aperfeiçoar o projeto. Agora, o próximo passo será a licença e a licitação – esta última prevista para ser realizada até dezembro deste ano, com as obras começando em fevereiro de 2013”, destacou Minc.

 

Presente à audiência pública, o subsecretário de Intervenções Especiais da SEA, Antonio da Hora, ressaltou que a criação da ilha-parque também tem o objetivo de diminuir o impacto, no meio ambiente, do transporte do material resultante da dragagem, por caminhões, até o aterro sanitário de Seropédica.

 

“Para percorrer esse trajeto, de cerca de 55 km, até o aterro de Seropédica, seriam necessários 150 caminhões fazendo duas viagens por dia. Então, o impacto desses trajetos no meio ambiente, por conta das emissões e no trânsito, seria muito grande”, explicou Antonio da Hora, acrescentando que, para as obras de prolongamento do Quebra-Mar, serão utilizadas pedras resultantes das obras de expansão do Metrô; outra importante iniciativa do Governo do Estado.

 

Ou seja, as obras para o prolongamento do Quebra-Mar e para a instalação de uma ilha-parque seguirão modernos parâmetros de construções sustentáveis.

 

Antigo morador da Barra da Tijuca, o empresário Pasquale Mauro, 84 anos, aprovou o programa de recuperação e disse que as intervenções vão beneficiar toda a cidade do Rio de Janeiro. Segundo ele, um dos mais graves problemas da cidade é o assoreamento das lagoas da Barra da Tijuca:

 

“Lembro-me da abundância de peixes e de uma colônia de pescadores que existiam no Canal do Cortado, e que hoje está completamente assoreado. Essa obra é fundamental para a população”, ressaltou o empresário, que é proprietário do Hospital Riomar e da Casa de Shows Ribalta, ambos na Barra da Tijuca.

 

Para o presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, Delair Dumbrosck, o programa socioambiental é uma conquista histórica para os moradores da região, que há anos lutam pela dragagem desse importante sistema lagunar:

 

“Em paralelo à dragagem, estamos em entendimento com a Prefeitura do Rio no que diz respeito à licitação para a escolha da empresa que administrará a navegação nessas lagoas”, ressaltou.

 

 

Saneamento e Estações de Tratamento de Rios

 

O secretário Carlos Minc disse que o Programa de Recuperação Ambiental das Lagoas da Barra se soma a outras ações do governo estadual e da Prefeitura do Rio para o saneamento da Barra, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes:

 

“Já foram investidos R$ 650 milhões, do Fecam (Fundo Estadual de Conservação Ambiental), em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), elevatórias de recalque para o bombeamento de esgoto e em um emissário submarino de 5 km de extensão, que lança esgoto pré-tratado em alto mar. Outros R$ 600 milhões, do Fecam, estão assegurados para a conclusão, até 2014, do saneamento da região, intervenções essas a cargo da Cedae”, destacou Minc.

 

A Prefeitura do Rio vai construir estações de tratamento de rios (ETRs) na desembocadura do Rio Arroio Pavuna, junto à Lagoa de Jacarepaguá, com capacidade para tratar 1.000 litros de esgoto por segundo; em Rio das Pedras, para tratar 330 l/s de esgoto; no Canal Pavuninha (próximo ao autódromo, em Jacarepaguá), para tratar 330 l/s de esgoto; e no Canal do Anil, para o tratamento de 1.000 l/s de esgoto.

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