Empresa é interditada por poluir Rio Calombé

Ascom SEA

Sandra Hoffmann

Fotos: Luiz Morier

Em um mês, nove companhias já foram multadas por degradação ambiental em Duque de Caxias

Seis empresas notificadas e multadas – sendo uma delas interditada. Este foi o saldo da blitz deflagrada hoje (03/10) pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da Secretaria de Estado do Ambiente, para identificar e punir as empresas que ainda estão despejando óleo e produtos químicos no Rio Calombé, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A empresa Montman Serviços e Reparos Marítimos e Terrestres – que realiza a limpeza de caminhões tanque de combustíveis – foi interditada e multada por operar sem licença ambiental e poluir o Rio Calombé com óleo combustível. O gerente da empresa, Marcos Grilo, foi detido e conduzido à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), onde prestou esclarecimentos. Segundo a polícia, ele vai responder por crime ambiental.

Outras cinco empresas que fazem a limpeza de caminhões tanque foram notificadas e multadas por descumprir condicionantes da licença ambiental, como não promover a limpeza da caixa separadora de água e óleo.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, acompanhou a operação, que contou com apoio de técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da Prefeitura de Duque de Caxias e de policiais do Comando de Polícia Ambiental (CPAm) e da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), totalizando cerca de 50 pessoas.

As equipes percorreram todo o trecho do Rio Calombé visivelmente degradado. A cor preta de suas águas e o forte cheiro de óleo combustível denunciavam a gravidade da poluição ambiental. Segundo o secretário Minc, as empresas que forem apontadas como poluidoras do rio terão de bancar os custos para a sua despoluição, de cerca de R$ 50 milhões.

“O Rio Calombé está com 5 km de percurso completamente contaminados. Essas empresas que estão poluindo o rio terão de bancar sua despoluição, estimada em R$ 20 milhões. A recuperação do Rio Calombé, que está sendo definida pelo Inea, vai abranger a dragagem do material contaminado, recomposição das margens desse rio e o transporte e a destinação do resultado da dragagem em local ambientalmente adequado”, afirmou o secretário.

Ao vistoriarem a Montman, as equipes constataram que a empresa, além de operar com licença ambiental vencida desde julho passado, despejava resíduos de óleo combustível diretamente no Rio Calombé; um crime ambiental.

“Nós verificamos que a empresa, ao invés de armazenar os resíduos dos caminhões tanque em uma caixa devidamente preparada para isso, despejava esses resíduos diretamente no Rio Calombé, através de um cano. O procedimento correto é a empresa armazenar em uma caixa esses resíduos para, posteriormente, serem recolhidos por um caminhão de sucção, que faria o transporte e o despejo em local ambientalmente adequado. O gerente alegou que, este ano, nenhum caminhão de sucção fez a limpeza dessas caixas, informação esta que considero improcedente. Então, a empresa será interditada, o Inea fará o laudo técnico e o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) fará a perícia do local”, explicou o chefe da Cicca, José Maurício Padrone.

Minc lembrou que a operação desta quarta-feira foi a segunda realizada em menos de um mês, pela Secretaria de Estado do Ambiente, para identificar e punir empresas que estão poluindo o Rio Calombé. Na primeira blitz, realizada em 6 de setembro, três empresas foram multadas – sendo duas delas interditadas.

“É um festival de ilegalidade num rodízio de óleo, e esse barato vai sair caríssimo. A empresa que interditamos hoje economizou 30 caminhões de sucção, a R$ 800,00 cada um, num total de R$ 24 mil, e vai arder em pelo menos R$ 2 milhões em multa”, afirmou Minc.
Primeira vistoria foi realizada em setembro
A blitz de hoje foi a segunda operação deflagrada pela Cicca em menos de um mês para identificar e punir empresas que estão poluindo o Rio Calombé. Em 6 de setembro, a equipe de fiscais autuou e multou três empresas por poluição ambiental. Duas delas foram interditadas. Dois diretores das empresas interditadas foram detidos e encaminhados para a delegacia policial da região: Natalino Martins Machado, da Leusado, e Haastari Pimentel de Azevedo, da Nero 20.

Empresas de limpeza de óleo e descontaminação de tanques de navios, de caminhões-tanque e de depósitos de combustíveis, a Leusado e a Nero 20 despejavam o produto das operações de limpeza diretamente no Rio Calombé.

Dias antes da operação de setembro, devido à alta concentração de óleo boiando em suas águas, o rio pegou fogo, atingindo casas do entorno e intoxicando 30 pessoas. O fogo foi provocado por um morador que queimava lixo no terreno de sua casa, às margens do rio. As chamas se alastraram, atingindo o óleo inflamável que boiava no rio.

Fotos: Luiz Morier

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