Shopping na Barra é multado por poluir lagoa da região

Foto:Luiz Morier

Ascom SEA

por  Sandra Hoffmann 

 

Com cerca de 120 salas e lojas sofisticadas, o estabelecimento Millenium teve concretada sua saída de esgoto durante a blitz Rolha Ecológica

 

Com aproximadamente 120 lojas e salas, o sofisticado shopping Millenium, na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca (Zona Oeste), foi multado e seus banheiros interditados em blitz deflagrada hoje (18/10) pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA). Durante a operação, batizada de Rolha Ecológica, os fiscais também lacraram com cimento a saída do tubulão de esgoto do shopping, que estava despejando esgoto sem tratamento na Lagoa da Tijuca; o que é crime ambiental. O shopping não tinha se conectado à rede de esgotamento sanitário da Cedae instalada na região.

 

Promovida pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), órgão da SEA, a blitz Rolha Ecológica ação teve apoio de técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), de policiais do Comando de Polícia Ambiental (CPAM) e da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e da perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

 

Presente à operação, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, disse que o shopping center havia sido notificado, há mais de dois meses, de que deveria fazer a conexão com a rede de coleta de esgoto da Cedae, construída na região este ano. “A entrada da rede de coleta da companhia fica a menos de dois metros da conexão do shopping com a rede pluvial. É inaceitável este tipo de conduta.”

 

Ao chegar ao local, a equipe de fiscais constatou, após testes com corante, que o esgoto in natura do shopping, que fica ao lado do Rio Design Barra, era despejado na galeria de água pluvial da região. Rede que, por sua vez, deságua na Lagoa da Tijuca. Após os testes, a equipe concretou então, com cimento, a saída de esgoto do shopping.

 

A direção do shopping center praticava outra irregularidade: a estação de tratamento de esgoto (ETE) do estabelecimento operava ilegalmente, pois estava conectada a galeria de água pluvial.

 

Segundo o secretário Carlos Minc, o shopping tem agora cinco dias para fazer a ligação do esgoto com a rede da Cedae. Em caso de descumprimento, poderá receber outra multa. Minc ressaltou que o Governo do Estado vem investindo em obras de esgotamento sanitário na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá, com a construção de redes de esgoto e de estações de tratamento, mas a ajuda de condomínios e estabelecimentos comerciais é fundamental. “Esta é a décima operação que nós deflagramos, em um ano e meio, com o propósito de reprimir o despejo de esgoto in natura nas lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá. Eles se negam a ligar sua rede com a da Cedae, e despejam seu esgoto na Lagoa da Tijuca. Então, o shopping center está recebendo uma ´rolha ecológica´, e seus banheiros serão embargados. A síndica responderá por crime ambiental e, se não fizer o serviço em 15 dias, terá a multa dobrada. O shopping deveria fazer a sua parte, mas muitos, por uma economia egoísta, insistem em jogar o seu cocô nas lagoas da região. Então, vão pagar caro por isso e vão responder por crime ambiental”, destacou o secretário. Muito nervosa, a síndica do shopping, Ana Regina Degering Ribeiro, criticou a ação deflagrada pela Secretaria de Estado do Ambiente, culpando a Cedae pelo despejo irregular. Segundo ela, a caixa de coleta construída pela companhia para o shopping não é apropriada.

O diretor da Regional Sul da Cedae, Claudino do Espírito Santo, rebateu as críticas da síndica, afirmando que a conexão com a rede da companhia é de responsabilidade do shopping. Ele afirmou também que não há nada irregular na rede de coleta construída pela Cedae. “O shopping deveria ter feito a ligação, assim como fez o seu vizinho, o Rio Design Barra”, explicou.

 

O coordenador da Cicca, José Maurício Padrone, ressaltou que as operações contra o despejo criminoso de esgoto in natura vão continuar. Segundo ele, o shopping poderá receber nova multa se não fizer no prazo determinado a conexão de sua rede de esgoto com a da Cedae. “Por causa de dois metros, que é a distância que separa a rede do shopping à da Cedae, o condomínio terá de pagar uma pesada multa, que pode chegar a R$ 30 mil, por poluição e por não ter se conectado à rede da companhia. É inacreditável que um shopping com esse porte ainda resista a fazer essa ligação.”

 

Ações da SEA na Barra da Tijuca

O Decreto Estadual 41310, de 2008, obriga os condomínios e edificações a se conectar à rede de esgoto da Cedae; ou, se for o caso, da concessionária prestadora de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

 

A SEA tem promovido constantes ações na região de combate a condomínios residenciais e estabelecimentos empresariais que se recusam a se adequar à legalidade, ao não instalar tubulações de conexão à rede de esgotamento sanitário da Cedae.

A última blitz ecológica foi promovida em setembro, quando foi lacrada a saída de esgoto in natura do condomínio residencial Vivendas da Barra, com cerca de cem casas, na orla da Barra da Tijuca. O condomínio foi multado e autuado por não ter se conectado à rede da Cedae, poluindo assim o Canal de Marapendi.

 

Devido a ações de conscientização e também de repressão, esse tipo de crime ambiental diminuiu na Barra da Tijuca. Há cerca de um ano meio, 150 condomínios da região não tinham ainda se conectado à rede de esgotamento sanitário da Cedae. Atualmente, apenas nove condomínios ainda não se conectaram.

 

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