SEA inaugura projeto EcoModa na Mangueira

Foto: Luiz Morier

Ascom SEA

por Sandra Hoffmann

Projeto visa a capacitar alunos em técnicas de corte e costura, modelagem, bordado, desenho e estamparia com foco no reaproveitamento de tecidos usados e outros materiais

Um dos redutos do samba carioca, a Mangueira – 18ª comunidade pacificada do Rio de Janeiro – se prepara para ser referência em moda sustentável. Em solenidade em que o cantor e compositor Nelson Sargento foi homenageado, foi inaugurada hoje (31/10) a primeira unidade no Rio de Janeiro do Projeto Ecomoda, da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), que visa a capacitar moradores da Mangueira em técnicas de corte e costura, modelagem, bordado, desenho e ilustração de moda e estamparia, com foco no reaproveitamento e reutilização de materiais.

Funcionando em prédio de 450m², com 50 máquinas de corte e costura, na Travessa Saião Lobato, na localidade conhecida como Buraco Quente, o Projeto Ecomoda vai capacitar 150 alunos da comunidade no curso do projeto, com duração prevista para três meses. Ao longo do curso, os alunos inscritos receberão ajuda de custo de R$ 120 reais mensais.
O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que participou da cerimônia de abertura, destacou que a inauguração do projeto Ecomoda foi possível graças à pacificação da comunidade. “O objetivo do projeto Ecomoda é transformar lixo em luxo, pois vai capacitar os alunos em moda, a partir do reaproveitamento de material que iria para o lixo. Por exemplo, banners foram transformados em bolsas, retalhos deram lugar a vestimentas de bom gosto. Após a capacitação, o nosso objetivo é de que as peças confeccionadas por esses alunos sejam comercializadas em shoppings centers, por exemplo, com a renda obtida sendo revertida para os próprios alunos do projeto Ecomoda. Então, o projeto vai transformar lixo em luxo, vai reciclar e vai gerar renda para a própria comunidade”,disse.
Em sua fala, Minc destacou ainda a promoção pela SEA do projeto da Fábrica Verde, outra importante iniciativa desenvolvida nas comunidades pacificadas do Alemão e da Rocinha, que transforma lixo eletrônico em inclusão digital, gerando emprego e renda para as comunidades. Pelo programa, os jovens são capacitados em montagem e manutenção de computadores a partir de peças de computadores doadas.

Já nas mãos dos alunos do projeto Ecomoda, restos de tecidos de confecções, retalhos, jeans e banners doados, que normalmente iriam para o lixo, começaram a ganhar um novo visual: banners foram transformados em bolsas e retalhos deram lugar a blusas, saias e vestidos de bom gosto. Até mesmo CDs, que seriam descartados, ganharam adornos com detalhes em fuxicos e bordados, sendo transformados em peças de decoração na sala do prédio onde passou a funcionar o Projeto Ecomoda.

O ponto alto da festa foi a homenagem ao cantor e compositor Nelson Sargento, um dos baluartes da Mangueira, que foi prestigiado com um desfile das alunas do curso com peças produzidas por elas mesmas. “Depois de 62 anos morando aqui na Mangueira, sempre acreditei que um dia nossa comunidade teria de volta a sua dignidade. Eu já sabia que isso, um dia, iria acontecer. E a pacificação chegou e as oportunidades para os nossos jovens também. Só nos resta apoiar e aplaudir esta oportunidade, pois estes jovens são o nosso Brasil de amanhã”, disse.

Responsável pelo projeto, a superintendente de Território e Cidadania da SEA, Ingrid Gerolimich, disse que a iniciativa visa também a despertar nas pessoas uma nova visão de moda, que é a moda sustentável. “Além deste, vamos inaugurar, em breve, na comunidade pacificada do Salgueiro, na Tijuca, o projeto Ecobuffet. O objetivo é promover a inclusão social e econômica de moradores dessas comunidades através de capacitações em aproveitamento integral de alimentos, culinária, empreendedorismo e educação ambiental.”

Ingrid Gerolimich destacou ainda que o projeto Ecomoda ganhou o apoio da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que vai doar materiais de carnaval das escolas de samba para o projeto.

O estilista e educador social do projeto, Almir França, destacou que a moda sustentável abre uma nova era para o mundo da moda. “O que me desperta a atenção é a possibilidade de aproveitar o lixo que não tem mais utilidade para uns e que pode virar textura para essa nova indústria da moda. Hoje, a indústria têxtil não tem mais o que inventar, então é preciso se reiventar naquilo que já existe. E o Brasil sai na frente, pois o país possui a melhor matéria-prima, que é o algodão, por exemplo. A durabilidade dele é grande. Então precisamos fazer com que os tecidos voltem a ser fibras e que voltem a ser tecido novamente, mas com uma nova textura. E um caminho, neste sentido, é a reciclagem.”

A psicopedagoga Damiana Maria dos Santos, 46 anos, é uma das alunas do curso de estamparia do Projeto Ecomoda. Ela conta que decidiu fazer o curso para adquirir mais conhecimento e, assim, melhorar o seu trabalho. “Em psicopedagogia, eu utilizo muito cores em meu trabalho com crianças. E como estamparia explora justamente a cor, eu resolvi fazer o curso para aprimorar o meu trabalho. Afinal, conhecimento nunca é demais”, disse ela, que fez fuxicos e bordados nos CDs que foram transformados em peças de decoração.

Foto: Divulgação

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