SEA e Inea participam da 17ª Parada do Orgulho LGBT Rio

Foto:Luiz Morier

Secretário Carlos Minc anunciou que lei contra homofobia suspensa pelo Tribunal de Justiça será reapresentada pelo governador Sérgio Cabral

Ascom SEA

Com o lema “Coração não tem preconceitos. Tem amor”, a 17ª Parada do Orgulho LGBT Rio – 2012, realizada na tarde deste domingo (18/11), reuniu mais de um milhão de pessoas, segundo os organizadores, na orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais uniram-se para pedir o respeito ao amor e à diversidade. Com uma tenda montada na orla de Copacabana, entre as ruas Sá Ferreira e Francisco Sá, na altura do Posto 5, a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea)  promoveram oficinas de reciclagem de embalagens tetrapak para a confecção de carteiras; e de compostagem para a produção de adubos a partir de resíduos orgânicos que normalmente são descartados como cascas de frutas e de legumes e borra de café.
Ao participar do evento, o secretário Carlos Minc disse que o governador Sérgio Cabral vai reapresentar, na semana que vem, à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), projeto de lei com mesmo teor da lei 3406/2000, que penaliza com multas e até interdição estabelecimentos públicos e privados que discriminem pessoas por sua opção sexual.
Da autoria de Carlos Minc, a lei 3406/2000 havia sido suspensa, no mês passado, pelo Tribunal de Justiça. Segundo o órgão, a referida lei fere a Constituição já que foi uma iniciativa do Legislativo, quando é competência do Executivo.
“O Tribunal de Justiça a anulou porque havia um artigo que tratava do funcionário público: ela falava sobre a punição ao agente público que fosse omisso em casos de discriminação a pessoas por sua opção sexual. Então, o TJ entendeu que a lei teria de ser iniciativa do Poder Executivo porque um parlamentar não tem competência para legislar sobre um funcionário público. Então, na semana que vem, o governador Sérgio Cabral vai reapresentar essa lei à Alerj e o Rio voltará a ter uma lei pioneira contra a homofobia”, disse o secretário Carlos Minc.
O secretário é um antigo defensor dos direitos dos homossexuais. Em setembro, a Sea lançou o projeto Ambiente Saudável é Ambiente sem homofobia, que oferece aos funcionários do órgão um curso abordando temas, como diversidade sexual, direitos humanos e sustentabilidade ambiental.
Na oficina apresentada na 17ª Parada, a SEA fez uma exposição de roupas e acessórios confeccionados a partir de material reciclado, através do Projeto Ecomoda, lançado na comunidade pacificada da Mangueira, no mês passado.O projeto visa a capacitar moradores da Mangueira em técnicas de corte e costura, modelagem, bordado, desenho e ilustração de moda e estamparia, com foco no reaproveitamento e reutilização de materiais.
A SEA também fez uma exposição das realizações do projeto Fábrica Verde, iniciativa que transforma lixo eletrônico em inclusão digital. O projeto é desenvolvido nas comunidades pacificadas do Alemão, no Subúrbio da cidade, e na Rocinha, na Zona Sul do Rio.
Mães da Igualdade
O movimento “Mães da Igualdade”, composto por mães de LGBT, veio à frente da Parada, abrindo caminho para derrubar o preconceito que existe dentro de casa.  O objetivo foi o de  sensibilizar a sociedade para o respeito às pessoas por sua opção sexual.
Cerca de dez Trios elétricos deram o tom da festa, sob o comando do Grupo Arco-Íris e Instituto Arco-Íris, organizadores do evento, e com patrocínio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Governo do Estado, através do Programa Rio Sem Homofobia; da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da RioTur e da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual e da Petrobras; Defensoria Pública do Estado, Secretarias Municipais de Saúde, de Trabalho, Sub-Prefeitura da Zona Sul, OAB-RJ, Fórum Estadual de ONG/AIDS, Expo Rainbow, Universidade Estácio de Sá e Rádio FM O Dia.
“O evento mostra que a população compreende que a homossexualidade não é uma perversão, crime ou doença, não é uma escolha ou opção, e a homofobia é uma realidade que atinge a todos, independente de sua sexualidade”, ressalta Julio Moreira, presidente do Grupo Arco-Íris, organização responsável pelo evento.
O Programa Estadual Rio Sem Homofobia, em parceria com o Laboratório Integrado em Diversidade Sexual, Políticas e Direitos da UERJ e com Arco-Íris, aplicaram uma pesquisa com os presentes, chamada “Mobilização, violência e políticas LGBT”. Além de traçar um perfil aprofundado dos frequentadores do evento, o exame pretende identificar o nível de conhecimento da população LGBT a respeito das políticas públicas para esse segmento, seus direitos e conquistas.
O superintendente de Direitos Individuais e Difusos e coordenador do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, celebrou a realização de mais uma parada LGBT-Rio.
“A cada ano a Parada do Orgulho se torna mais formte e representativa no que se refere às questões que tanto atingem lésbicas, gays, bissesexuais, travestis e transexuais como homofobia e intolerância. É essencial que a população LGBT se uma em prol dos seus direitos e sua cidadania e a Parada é o melhor momento para isso, pois alia mensagem política à descontração e alegria, tão presentes no universo LGBT”, disse ele.
Durante a festa, a 17ª Parada do Orgulho LGBT também se engajou na campanha “ Veta, Dilma. Contra a injustiça, em defesa dos royalties”. Convocado pelo Governo do Estado, o manifesto será realizado no dia 26 de novembro.

Foto: Luiz Morier

Anúncios