Ação ambiental retira carcaças de embarcações da Baía de Guanabara

Foto:Luiz Morier

Ascom SEA

por Sandra Hoffmann 

 

Iniciativa viabilizará dragagem no Canal de São Lourenço e a reabertura do centro de pesca artesanal em Niterói

 

Abandonadas no espelho d’água ou submersas há décadas no Canal de São Lourenço, na Baía de Guanabara, 53 carcaças das embarcações terão, a partir de agora, destinações ecologicamente corretas. A Secretaria de Estado do Ambiente e o Ministério da Pesca e Aquicultura deram início hoje (23/11) à retirada dessas embarcações. A medida viabilizará a dragagem de 100 mil m3 de material do assoreado Canal de São Lourenço e a reativação do Centro Integrado de Pesca Artesanal (Cipar), que deixou de funcionar devido às embarcações abandonadas, que impedem a navegação na região, entre a Ilha da Conceição e o litoral de Barreto, em Niterói. A dragagem deverá ser realizada no primeiro semestre do ano que vem.

A operação de início da retirada das carcaças abandonadas foi lançada em solenidade promovida nesta sexta-feira no cais do Cipar, com participação do secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, do ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, e da presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos.

Segundo Minc, serão investidos cerca de R$ 18 milhões no trabalho de dragagem e destinação do material recolhido. Além da reativação do Cipar, o secretário afirmou que a ação irá beneficiar cerca de 20 empresas instaladas nas proximidades.

“Desses R$ 18 milhões, R$ 3,5 milhões já foram disponibilizados pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. Vamos então entrar com R$ 4 milhões do Fecam (Fundo Estadual de Conservação Ambiental) para o início da dragagem. O restante, de aproximadamente R$ 11 milhões, tentaremos viabilizar junto ao Ministério da Pesca e Aquicultura. As embarcações de madeira serão reaproveitadas, economizando árvores, e as de ferro vão para siderúrgicas”, disse ele.

Ainda segundo Minc, parte do material resultante da dragagem será encapsulada em geobags, a exemplo do que está sendo feito com os sedimentos retirados do Canal do Fundão, outra importante obra da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA).

O secretário Carlos Minc anunciou também o início, na semana que vem, das obras de construção da Unidade de Tratamento de Rio (UTR) do Rio Irajá, outra iniciativa que vai contribuir para a despoluição da Baía de Guanabara. “Esta UTR vai retirar 12% da poluição que vai para a Baía de Guanabara proveniente do Rio Irajá”, destacou o secretário.

Ao lado de Minc e Crivella, Marilene Ramos e o prefeito eleito de Niterói, Rodrigo Neves, acompanharam a retirada da primeira embarcação encalhada em frente ao cais do Cipar.

O ministro Marcelo Crivella destacou a importância dessa iniciativa para a despoluição da Baía de Guanabara, afirmando só ter sido possível graças à parceria com o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado do Ambiente e do Inea, e também com o governo municipal de Niterói.

“Demos hoje um passo importantíssimo que contribuirá para a despoluição da Baía de Guanabara ao retirar as embarcações que estão aqui há décadas. Conseguimos viabilizar esta iniciativa graças à parceria com os governos estadual e municipal e que será um passo fundamental para que o Cipar volte a funcionar. Aqui, o pescador poderá comprar a sua rede, o seu gelo, enfim, o seu material de trabalho. Além disso, os restaurantes e a população voltaram a se abastecer com o pescado. A dragagem começará imediatamente após a retirada das embarcações. O projeto executivo está em fase de conclusão e seguramente no final do primeiro semestre de 2013, o Cipar estará funcionando. Esta é uma previsão perfeitamente viável”, disse o ministro.

A presidente do Inea, Marilene Ramos, afirmou que as carcaças das embarcações prejudicam o tráfego marítimo e causam poluição ambiental, na medida em que diversos materiais vão se degradando em contato com o mar.

“Essas embarcações estavam impedindo o acesso dos pescadores ao Cipar, construído pelo Ministério da Pesca. Além deste problema operacional, temos também um problema ambiental, pois dezenas de embarcações afundadas, com óleo, estão se deteriorando no mar. As embarcações de madeira serão desmontadas e esse material será utilizado como lenha para queima em fornos de olarias. Já as embarcações de metal vão a leilão público. O Inea já contratou um leiloeiro que vai fazer o leilão e quem arrematar vai se encarregar de cortar e retirar esse metal”, explicou Marilene Ramos.

A iniciativa para a remoção das embarcações das águas do canal conta com a colaboração dos estaleiros Bigmar Navegação e Equipe Mar, além da empresa de mergulhadores Pacific Sub.

A retirada das embarcações é uma operação conjunta da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca; da Secretaria de Estado do Ambiente), do Inea, da Capitania dos Portos (Ministério da Marinha) e do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Foto:Luiz Morier

 

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