Secretaria do Ambiente inicia construção da UTR do Rio Irajá

Foto:Luiz Morier

Ascom SEA

por Sandra Hoffmann 

Unidade passará a tratar 12% das fontes de poluição que chegam à Baía de Guanabara, contribuindo para que Governo do Estado cumpra metas de saneamento para as Olimpíadas de 2016

Responsável por 12% das fontes de poluição que chegam à Baía de Guanabara, o Rio Irajá terá suas águas tratadas a partir do segundo semestre de 2013, quando entrar em funcionamento a Unidade de Tratamento de Rio (UTR). Uma iniciativa da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), a construção da UTR do Rio Irajá foi iniciada oficialmente hoje (28/11), em cerimônia promovida em Cordovil, na Zona Norte do Rio.

A cerimônia de lançamento das obras contou com a presença do secretário do Ambiente, Carlos Minc, e da presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos. A SEA e o Inea vão investir R$ 40 milhões na UTR do Rio Irajá; dos quais R$ 30 milhões para a construção e R$ 10 milhões para sua operação e manutenção.

Os recursos são oriundos de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a SEA, o Inea e a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), a título de compensação ambiental. Quando estiver concluída, a UTR passará a tratar as águas poluídas do Rio Irajá que desaguam na Baía de Guanabara, contribuindo para que o Governo do Estado cumpra a meta acordada de despoluir 80% das águas da baía até a realização dos Jogos Olímpicos.

Ao lado de Marilene e do subsecretário de Projetos e Intervenções Especiais da SEA Antônio da Hora, Minc acompanhou o processo de tratamento da água mostrado em uma maquete montada no canteiro de obras para simular o futuro funcionamento da UTR do Rio Irajá. A maquete operou com a circulação de água do Rio Irajá, mostrando assim como se dará a operação de limpeza.

Segundo Minc, outras cinco UTRs serão construídas em rios que chegam à Baía de Guanabara. A implantação das seis UTRs visa a complementar as ações de saneamento para se atingir a meta de limpar a Baía de Guanabara até 2016. Diante das dificuldades de se implantar, na fonte, redes de coleta e de tratamento de esgoto em áreas populares já densamente ocupadas, as UTRs se constituem em uma alternativa de saneamento, ao tratar o leito de um rio que recebe inúmeros despejos de esgoto.

“A construção da UTR não é um saneamento convencional. A finalidade é tratar o rio antes que ele chegue à Baía de Guanabara, melhorando a qualidade de suas águas, permitindo a pesca, o transporte e o esporte olímpico. Lembro que, em 2006, apenas 12% do esgoto despejado na Baía de Guanabara recebia tratamento. Atualmente, esse tratamento é da ordem de 36%. Só que 64%, ou seja, dois terços ainda seguem in natura para a Baía de Guanabara. Então, além das nossas ações para avançar o saneamento, vamos construir UTRs nos rios Pavuna, Sarapuí, Imboaçu, Canal do Mangue e Canal do Cunha”, explicou Minc, ao lado da presidente do Inea, Marilene Ramos.

Minc destacou que dentre as medidas para avançar no saneamento estão a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Sarapuí, o funcionamento da ETE da Pavuna e a construção de uma ETE em Alcântara, em São Gonçalo. “No dia 13 de dezembro, vamos realizar uma audiência pública, em São Gonçalo, para apresentar o projeto desse empreendimento, mais uma iniciativa visando à despoluição da Baía de Guanabara”, afirmou.

Na cerimônia de lançamento das obras, a presidente do Inea, Marilene Ramos, destacou que a Unidade de Tratamento de Rio (UTR) é uma iniciativa muito importante, pois vai trazer resultado direto para a Baía de Guanabara. Além disso, destacou que o Governo do Estado busca viabilizar junto ao Governo Federal, através do Ministério das Cidades, recursos para a construção de um sistema de coleta de esgoto em municípios do entorno da Baía de Guanabara, principalmente na região da Bacia do Rio Irajá.

“Grande parte da região do entorno da Bacia do Rio Irajá não conta com rede de coleta de esgoto. Por conta disso, estamos apresentando para o Governo Federal, através do Ministério das Cidades, um projeto, em parceria com a Cedae e a Secretaria de Estado de Obras, com apoio do Inea, de construção de um sistema de coleta de esgoto nessa região. Isso é muito importante para completar esse importante trabalho. Também quero destacar a grande quantidade de lixo retido pela ecobarreira no Rio Irajá. Isto mostra o quanto é importante a ajuda da população no sentido de descartar o seu lixo em locais adequados, sem jogá-lo nos rios. Precisamos do apoio da população nesse sentido”, disse Marilene Ramos.

UTR do Rio Irajá

Instalada a 1,5 km da foz do Rio Irajá, próximo à Avenida Brasil, em Cordovil, a UTR removerá 70% da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO); 65% da Demanda Química de Oxigênio (DQO); 90% de sólidos em suspensão; 90% de turbidez e cor; e 98% de coliformes totais das águas desse rio. O Rio Irajá nasce no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalhos, na Zona Norte, e corta os bairros de Vaz Lobo, Irajá, Brás de Pina, Vila da Pena e Cordovil, até desaguar na Baía de Guanabara.

A UTR será composta por caixa de areia; ecobarreira (cerca para reter o lixo flutuante); pátio de armazenamento de produtos químicos; módulos de equipamentos; bacias de floculação e flotação com respectivos sistemas de aeração e recirculação; retenção e remoção de lodo flotado; laboratório; e captação de bombeamento de água.

A obra para a instalação da UTR será feita pela empresa DT Engenharia. Para sua instalação, duas dragas, da DT Engenharia, já trabalham a todo vapor para efetuar a limpeza do rio. Esse serviço, que deverá durar de 15 a 20 dias, destina-se a preparar o local para receber os equipamentos de instalação da UTR.

Segundo o presidente da Fundação Rio Águas, Mauro Duarte, o procedimento de limpeza das águas do Rio Irajá assemelha-se ao processo efetuado para limpar a água da Baía de Guanabara que serve para abastecer o Piscinão de Ramos, na Zona Norte do Rio.

“A diferença é que a água que vai para o Piscinão de Ramos recebe determinada quantidade de cloro para garantir condições para o banho dos frequentadores”, explicou.

Foto:Luiz Morier

Foto:Luiz Morier

Foto:Luiz Morier

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