270 ALUNOS DE COMUNIDADES PACIFICADAS RECEBEM DIPLOMA EM CURSOS DE RECICLAGEM

Foto:Rogério Santana

Foto:Rogério Santana

Ascom SEA

por Flor Jacq

Estudantes da Mangueira e do Complexo do Alemão receberam aulas de reaproveitamento de computadores e de moda sustentável

Hoje (18/12) foi um dia de comemoração nas comunidades pacificadas do Complexo do Alemão e da Mangueira, Zona Norte do Rio, pois 270 estudantes se formaram em projetos de reciclagem, da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA): Fábrica Verde e EcoModa.

Pela manhã, a superintendente de Território e Cidadania, da SEA, responsável pelos dois projetos, Ingrid Gerolimich, participou da entrega de certificados da quarta turma da Fábrica Verde (unidade Complexo do Alemão), iniciativa que transforma lixo eletrônico em inclusão digital, capacitando, a cada trimestre, 120 jovens em montagem e manutenção, internet, cidadania, empreendedorismo, educação ambiental e reciclagem.

À tarde foi a vez do encerramento do projeto EcoModa, na Mangueira, que formou 150 alunos em seis cursos: corte e costura, bordado, modelagem, desenho de moda, estamparia e acessórios. Todas as peças são produzidas com material reutilizado, como retalhos, roupas e lonas de banners.

Os cursistas têm direito a uma bolsa no valor de R$ 120,00 cada por mês, e aqueles que se destacam pelo bom desempenho tornam-se monitores e passam a receber R$ 600,00 por mês.

Segundo a superintendente Ingrid Gerolimich, o projeto pretende sair da escala artesanal e disputar o mercado da moda. Ingrid lembra que no último Fashion Rio a equipe levou uma pequena amostra da sua coleção.

“Nossa ideia é ir além dos muros dessa comunidade. Queremos levar para o Brasil e o mundo a mensagem de que é possível fazer moda com estilo, respeitando o meio ambiente. A indústria têxtil é uma das que mais polui. Não é porque uma peça saiu de moda que deve ser jogada fora. Aqui, o lixo vira roupa e acessório com estilo e consciência ambiental”, disse Ingrid.

Aluna de estamparia, Ana Maria Conceição dos Santos, moradora da Mangueira, de 66 anos, disse que já tinha feito curso de culinária no Senai, mas confessou ter se apaixonado pela moda.

“Fiz culinária, curso de salgadinho e tudo que desse para levar um pouco mais para dentro de casa, mas no EcoModa aprendi a pintar tecido com rolo e até fazer detalhes com pincel nas roupas que entraram para a nossa coleção. Quando abrirem novas turmas, quero me inscrever para fazer outro curso”, disse Ana Maria.

Na abertura, modelos – moradores da comunidade – desfilaram 25 peças da primeira coleção confeccionada pelos estudantes do EcoModa.

Para o coordenador de criação e estilista, Almir França, a escolha de iniciar o projeto na Mangueira foi acertada:

“A Mangueira é um celeiro cultural. Mesmo antes da pacificação, isso sempre esteve presente. O verde e rosa aqui é maior do que o samba: é um estilo de vida. O Estado tem que observar os aspectos culturais de cada comunidade e reforçá-los”, afirmou Almir.

Ingrid anunciou ainda que em março de 2013 a Secretaria estadual do Ambiente deve firmar parceria com a Osklen, marca de moda masculina e feminina, reconhecida nos eventos de modas em todo o mundo, para levar o projeto EcoModa para a Rocinha, na Zona Sul do Rio. Outra novidade, é que a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) vai doar para o projeto as sobras das alegorias e fantasias não reutilizadas pelas escolas de samba no Carnaval 2013.

Foto:Rogério Santana

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