BLITZ DESTRÓI CARVOARIA NA PEDRA BRANCA

Foto: Luiz Morier

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Ascom SEA

por Sandra Hoffmann

Em um dos sete fornos derrubados, foram encontradas madeiras de espécies nativas de Mata Atlântica que seriam transformadas em carvão

Uma carvoaria embargada, sete fornos para produção de carvão destruídos e 12 toneladas de carvão ilegal apreendidas. Este foi o saldo da blitz ecológica deflagrada hoje (29/01) pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), órgão da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), no entorno do Parque Estadual da Pedra Branca, em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade.

A ação contou com o apoio de fiscais do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e de policiais do Comando de Polícia Ambiental (CPAm). Com auxílio de uma retroescavadeira, os agentes demoliram sete fornos para a produção de carvão. Cinco deles, em forma de iglu, haviam sido construídos em fileira ao lado da carvoaria. Já os outros dois foram construídos em barrancos, a cerca de 100 metros da carvoaria. Luís Lucchesi, filho do proprietário, foi conduzido para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), para prestar esclarecimentos.

Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que acompanhou a operação de repressão, a carvoaria funcionava sem licença ambiental. Além disso, em um dos fornos foram encontradas tábuas de construção civil e, por baixo, madeiras de angico e carrapateira – árvores típicas de Mata Atlântica –, que seriam transformadas em carvão.

“Aqui, eles transformavam mata nativa em carvão. Eles misturavam carvão que importavam de Minas Gerais com vegetação de Mata Atlântica. Então, derrubamos os fornos, a atividade da carvoaria está embargada. O carvão foi apreendido e o proprietário será multado. Multa cujo valor pode chegar a R$ 1 milhão por diversas irregularidades ambientais. Nós estamos intensificando as fiscalizações na região, e esta ilegalidade foi descoberta em uma dessas ações. Recentemente, criamos a Unidade de Policiamento Ambiental (UPAm) do Parque Estadual da Pedra Branca. Então, os fiscais do Inea e os policiais da UPAm estão fazendo esse trabalho de repressão aos crimes ambientais no entorno do parque”, disse Minc.

O chefe da Cicca, José Maurício Padrone, destacou que o proprietário da carvoaria praticava diversas irregularidades ambientais, como poluição causada pela queima da madeira. Além disso, as pessoas que atuavam na carvoaria eram submetidas a um trabalho degradante.

“Aqui, o trabalhador atuava em um ambiente com péssimas condições, análoga ao trabalho escravo. Além dos fornos, há a questão das condições de trabalho. Na Serra do Sambê, em Rio Bonito, por exemplo, há dois anos, os fornos para a produção de carvão eram uma praga. Então, com muito trabalho, conseguimos acabar com essa prática nesse município e, hoje, os trabalhadores que atuavam nessas atividades, de forma insalubre, estão trabalhando na produção de banana-passa, um trabalho muito mais digno”, explicou Padrone.

Foto:Luiz Morier

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