DESPOLUIÇÃO DO CANAL DO MANGUE É DEBATIDA NO CLUBE DE ENGENHARIA

Foto: Luiz Morier

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Ascom SEA

por Sandra Hoffmann

Orçadas em R$ 150 milhões, obras irão beneficiar 400 mil pessoas e contribuir para o saneamento da Baía de Guanabara

Ao participar, na noite desta quinta-feira (14/3), de audiência pública no Clube de Engenharia, no Centro, para debater a construção de tronco coletor do esgoto da região da Cidade Nova, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, afirmou que as obras contribuirão para a despoluição do Canal do Mangue e, consequentemente, da Baía de Guanabara.

Atualmente, o Canal do Mangue, que deságua na Baía de Guanabara, recebe cerca de 800 litros de esgoto por segundo sem o devido tratamento – tendo se tornado um símbolo de degradação ambiental de parte da região central da cidade. Com a execução das intervenções ambientais orçadas em R$ 150 milhões, não só as águas da baía serão beneficiadas, mas cerca de 400 mil pessoas que moram ou trabalham na região.

As obras de construção do chamado Tronco Coletor Cidade Nova estão previstas para começar até o final deste ano, sendo concluídas em 2015. Além da construção do tronco coletor, as intervenções incluem a recuperação da rede coletora de esgoto de boa parte da região central da cidade.

As iniciativas de recuperação ambiental da rede coletora incluirão a limpeza e a filmagem da rede de esgotamento sanitário da região da Cidade Nova e também das galerias de águas pluviais. A filmagem interna da rede, através de uma câmera móvel, terá por finalidade detectar ligações clandestinas de esgoto na rede de águas pluviais, para que possam ser eliminadas.

O secretário Carlos Minc ressaltou a importância das obras para a Baía de Guanabara ao afirmar para os presentes que o esgoto despejado in natura no Canal do Mangue será coletado e bombeado para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, no Caju.

Minc lembrou que, à época do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), foram construídas quatro ETEs ao redor da baía, mas sem que fossem instaladas redes coletoras e elevatórias que transportassem o esgoto para essas estações de tratamento.

“Nós tínhamos quatro ETEs construídas sem redes: Alegria, Pavuna, Sarapuí e São Gonçalo. Então, juntamos esforços com nossos parceiros e estamos realizando intervenções para coletar o esgoto até as estações de tratamento, que ficaram secas por 13 anos, ou seja, sem tratar sequer um litro de esgoto. Em seis anos, ampliamos de 12% para 36% o percentual de esgoto tratado no entorno da Baía de Guanabara. Uma ampliação, em seis anos, bastante significativa. Porém 2/3 de esgoto sem o devido tratamento ainda vão para a Baía de Guanabara. Então, estamos somando forças para sanearmos a Baía de Guanabara, e uma de nossas importantes iniciativas para esse trabalho é o Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (Psam)”, explicou para cerca de 50 pessoas, entre elas representantes da Cedae e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), que participaram da audiência pública.

A construção do Tronco Coletor Cidade Nova é uma importante etapa do Psam, principal investimento do Governo do Estado para a melhoria da balneabilidade da Baía de Guanabara. Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que concedeu empréstimos ao governo de US$ 452 milhões, o programa conta com contrapartida de R$ 330 milhões do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam).

Do total dos recursos do Psam, R$ 150 milhões serão investidos na construção do Tronco Coletor Cidade Nova. A construção do tronco coletor é uma iniciativa prevista no Plano Guanabara Limpa, da SEA, que articula inúmeras ações ambientais – a exemplo do Psam – para que o Governo do Estado promova o saneamento de 80% da Baía de Guanabara até a realização das Olimpíadas do Rio, em 2016.

O Psam prevê obras de esgotamento sanitário e projetos de saneamento nos 15 municípios do entorno da Baía de Guanabara. O projeto de construção do Tronco Coletor Cidade Nova será executado pela SEA em parceria com a Cedae e a Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro).

RESGATE DE DÉFICIT HISTÓRICO DE SANEAMENTO

Ao participar também da audiência pública, a presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, destacou que as intervenções são um passo importante nos esforços do Governo do Estado para resgatar o déficit histórico que o Estado do Rio de Janeiro possui na área de saneamento.

“Quero destacar que decidimos fazer esta audiência pública no Clube de Engenharia porque a categoria tem na sua história a luta pelo saneamento. Tenho orgulho de estar participando da atual gestão do Governo do Estado, que está buscando resgatar o déficit histórico na área de saneamento que o nosso estado possui. O Rio tem uma condição sanitária que não é compatível com a realidade econômica, pois o Rio é o estado mais rico do país em termos de produção de petróleo, mas enfrenta uma condição sanitária bastante preocupante”, disse.

O diretor de Operações da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), Luiz Carlos de Souza Lobo, aprovou as intervenções apresentadas na audiência pública, destacando sua importância para a recuperação do Canal do Mangue.

“Essa obra vai dar condições de recuperar a região central da cidade e terá também um impacto extremamente positivo na população local. Além disso, vai também nos ajudar nas obras que estamos executando”, explicou ele.

Foto: Luiz Morier

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