Rocinha comemora um ano do Projeto Fábrica Verde

Foto: Luiz Morier

Foto: Luiz Morier

Ascom SEA

por Julia Aquino

Ao som da Escola de Música da Rocinha, moradores conheceram de perto a iniciativa que visa à inclusão digital em comunidades pacificadas

Em seu primeiro aniversário, o Projeto Fábrica Verde da Rocinha, da Superintendência de Território e Cidadania (STC), da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), fez festa ao som de muito chorinho de grupo da comunidade pacificada. Além de música, moradores da Rocinha assistiram a palestras e mostra de trabalhos manuais durante o festejo, que aconteceu na sede do projeto, em área no alto da comunidade, na Zona Sul do Rio.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, falou da importância do projeto para as comunidades pacificadas do Estado do Rio e ressaltou que, além do cuidado com o ambiente, o projeto tem como objetivo a inclusão desses jovens no mercado de trabalho. “As UPPs abriram o caminho, agora o Estado precisa fazer acontecer. Esse projeto converte lixo eletrônico em inclusão digital em locais onde o estado não era bem-vindo. Hoje estamos conseguindo capacitar jovens para o mercado de trabalho com inclusão digital sustentável”, disse.

O secretário acrescentou ainda que a adesão da comunidade é muito importante para o avanço do Projeto Fábrica Verde, e que as parecerias com a rádio comunitária Brisa, da Rocinha, com a UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e com grupos musicais ajudam na integração e na comunicação de moradores.

“O lixo é matéria orgânica fora do lugar, tudo pode e deve ser reaproveitado, mas a comunicação dentro da comunidade é muito importante para que outras pessoas possam ter esse conhecimento. É através de parcerias que conseguimos alcançar novas etapas do projeto, as pessoas ficam sabendo o que acontece na comunidade e podem participar, como, por exemplo, levando seu lixo eletrônico para a unidade do Projeto Fábrica Verde”, disse Minc.

Durante o evento, os presentes ouviram apresentações de músicas da Escola de Música da Rocinha e o grupo Bando de Favelados da Rocinha, além de conhecerem a mostra de trabalhos manuais produzidos no Projeto Fábrica Verde. Palestras educativas e a participação da Livraria Ecológica, parceira do projeto, proporcionaram aos participantes o conhecimento sobre lixo eletrônico e inclusão digital. Quem levou uma garrafa PET ou qualquer outro material reciclável durante o evento, na barraca da Livraria Ecológica, pôde escolher um livro.

A superintendente da STC, Ingrid Gerolimich, distribuiu um vídeo do projeto que mostra o processo de implantação do projeto desde o início, em abril de 2012, até os dias de hoje. Ingrid afirmou que a Fábrica Verde capacitou jovens da comunidade gerando emprego e renda para seus familiares.

“Mais de 1.000 computadores já foram reaproveitados pelos telecentros desde a inauguração do projeto, e mais 1.000 estão sendo finalizados para serem doados à ONGs e aos telecentros. Isso é a prova que temos menos lixo eletrônico espalhado pelo ambiente e mais gente trabalhando. Hoje, mais da metade dos jovens capacitados pela Fábrica Verde está empregada”, disse Ingrid.

O secretário Carlos Minc ressaltou que o lixo eletrônico contém metais pesados que contaminam o solo, e estão sendo retirados das ruas por conta desse projeto. “A Secretaria do Ambiente já tem muitos desafios, como o Programa Lixão Zero, o saneamento das Lagoas da Barra e a limpeza das praias, dentre elas, a de São Conrado. Esse projeto veio acrescentar ao que já está sendo feito em prol do ambiente, pois o lixo eletrônico contém metais pesados como chumbo, mercúrio e cádmio, sendo um perigo ao meio ambiente e à saúde. Se lançados de maneira inadequada, podem contaminar o solo, a água e ainda causar doenças graves”, reiterou.

Minc falou também de outros projetos de reciclagem, como EcoModa e o EcoBuffet, que também foram implantados pela SEA em comunidades com UPPs para o reaproveitamento de materiais que seriam jogados fora.

“ Com o EcoBuffet estamos ajudando muitas pessoas a conhecer o reaproveitamento de alimentos, utilizando aquilo que seria jogado fora, como a casca da banana. Além disso, conseguimos com a Caixa Econômica Federal um financiamento de até R$6 mil para os alunos que, após participarem do curso, queiram abrir seu próprio negócio”, disse o secretário.

A estudante Larissa Fernades, que faz parte do Projeto Fábrica Verde, diz estar pensando no futuro quando pede aos conhecidos da comunidade que levem seu lixo eletrônico para a unidade do projeto. “Estou pensando no futuro e preservando o planeta ao mesmo tempo. Quero que outras pessoas conheçam esse projeto que ajuda a comunidade gerando emprego e renda e ainda leva o lixo eletrônico para o lugar certo”, afirmou.

O Projeto Fábrica Verde está sendo desenvolvido há um ano na Rocinha, a 19ª comunidade pacificada do Rio de Janeiro, e há quase dois anos no Complexo do Alemão, com o objetivo transformar lixo eletrônico em inclusão digital, por meio do reaproveitamento de computadores, monitores e impressoras usados, com a geração de empregos para moradores de comunidades pacificadas.

Na Rocinha, com cerca de 240 alunos formados em montagem e manutenção de computadores, o projeto está em sua terceira turma.

Foto: Luiz Morier

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Foto: Luiz Morier

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