Espécie ameaçada de extinção é lançada no Rio Paraíba do Sul

Flor Jacq

Rio que corta o território fluminense já recebeu 200 mil filhotes de peixes nativos da Região do Médio Paraíba

SEA faz Repovoamento de Peixes no Rio Paraiba do Sul 01  060

Foto Luiz Morier

Nesta terça-feira (04/06), em Barra Mansa, na Região do Médio Paraíba, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, participou da soltura de mil alevinos de surubins-do-paraíba no Rio Paraíba do Sul.

A Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) estão realizando o repovoamento da Bacia do Rio Paraíba do Sul, no Médio Paraíba, com quatro espécies nativas da região: surubim-do-paraíba, piabanha, lambari-do-rabo-vermelho e curimbatá.

Até 6 de junho, terão sido lançados 45 mil filhotes de peixes no rio. Desde o início do projeto, em 2010, já foram lançados 200 mil filhotes dessas quatro espécies de peixes no Paraíba do Sul.

É a primeira vez, no Estado do Rio de Janeiro, em que o surubim-do-paraíba é reproduzido em laboratório e devolvido ao seu habitat natural. Esse peixe integra a lista da campanha da SEA Abrace essas Dez!, pela preservação de dez espécies ameaçadas de extinção no território fluminense.

Desde 2007, equipe coordenada pelo Inea vem monitorando um trecho de cerca de 30 km do Rio Paraíba do Sul, logo após a Represa do Funil, o que permitiu a montagem de um banco de dados com informações sobre a concentração de poluentes orgânicos e inorgânicos e a ocorrência da fauna nativa.

“Não basta promover a soltura de peixes, temos que recuperar a qualidade ambiental do rio. Por isso, estamos endurecendo com as empresas poluidoras, investindo em reflorestamento, na compra de lixo tratado e em esgotamento sanitário”, disse o secretário, lembrando que os municípios de Barra Mansa e Volta Redonda receberam R$ 80 milhões para obras de saneamento.

Para Minc, além de fiscalizar e multar, o governo deve oferecer alternativas viáveis para que o crime ambiental não volte a ocorrer: “O caso da Servatis, empresa responsável por um grave vazamento de substâncias tóxicas no Rio Paraíba do Sul, em 2008, é emblemático.Assinamos um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no valor de R$ 38 milhões, determinando que a empresa deveria modernizar sua linha de produção, introduzindo um sistema com tecnologia limpa, voltado para a fabricação de substâncias não nocivas ao meios ambiente, estimulando assim a agricultura orgânica e sustentável”.

Em 2010, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) assinou um TAC determinando investimentos da ordem de R$ 216 milhões. Em 2011, foi obrigada a investir mais R$ 16 milhões na recomposição da mata ciliar e no repovoamento de peixes do Rio Paraíba do Sul.

Presente ao evento, o prefeito de Barra Mansa, Jonas Marins, falou da importância da preservação das águas do Rio Paraíba do Sul: “Uma das minhas primeiras ações quando assumi a prefeitura foi colocar parte do meu secretariado em um barco e navegar de ponta a ponta do rio para entender o que devíamos fazer para salvá-lo. O Paraíba do Sul deságua no Rio Guandu, principal fonte de abastecimento do estado do rio de Janeiro”.

Segundo Minc, Barra Mansa foi incluída no programa Compra de Lixo Tratado. Com isso, por três anos, a cidade passará a receber R$ 20 por cada tonelada de resíduos sólidos urbanos que for destinada a aterros sanitários licenciados.

“Barra Mansa tem um aterro sanitário moderno e recebe lixo de Volta Redonda e de outros municípios. Os consórcios intermunicipais tem que ser estimulados”, disse.

A iniciativa de repovoamento de peixes do rio faz parte do Programa de Recuperação da Ictofauna Nativa, coordenado pelo Inea e pela SEA – em parceria com o Ibama, o ICMBio, prefeituras e grandes empresas instaladas na Região do Médio Paraíba, como a Votorantim.

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Foto Luiz Morier

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