SECRETARIA DO AMBIENTE PRETENDE LEVAR PARA A MARÉ PROJETOS DE INCLUSÃO SOCIAL

 

Ascom SEA

Flor Jacq

Foto: Luiz Morier

Foto: Luiz Morier

 

Em reunião com lideranças comunitárias, secretário Carlos Minc anunciou para julho a construção de cais para pescadores próximos à Ilha do Fundão

 

Ao participar do encerramento da exposição socioambiental As Águas Continuam a Fluir, no Museu da Maré, na Zona Norte do Rio, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, disse que pretende levar para o Complexo da Maré – comunidade ainda não pacificada – os projetos de inclusão social e de qualificação profissional Fábrica Verde, EcoModa, Comunidades Verdes e Ecobuffet.

Desenvolvidos pela Secretaria de Estado do Ambiente em algumas áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no município do Rio de Janeiro, esses projetos visam a levar cidadania e a incentivar o empreendedorismo nessas comunidades pacificadas.

Antes de visitar a exposição, Minc reuniu-se, no Museu da Maré, com lideranças comunitárias e representantes dos pescadores do Complexo da Maré para discutir a possibilidade de parcerias com a comunidade para a implementação desses projetos.

“Desde o seu lançamento, a Fábrica Verde, que transforma lixo eletrônico em inclusão digital, já capacitou cerca de mil pessoas das comunidades do Alemão e da Rocinha, onde é desenvolvida. Eu acredito que, dentre esses projetos, o EcoModa pode ser implementado a curto prazo, já que o Complexo da Maré tem experiência na confecção de peças de roupas com material reciclável. Mesmo que não haja uma Fábrica Verde aqui, a comunidade poderá receber os computadores reformados, caso tenha condições de montar um telecentro. Isso porque várias comunidades mostraram-se interessadas em receber esses computadores e montaram telecentros para fazer a inclusão digital de sua juventude”, explicou o secretário.

O Projeto Fábrica Verde tem por objetivo promover a capacitação profissional em montagem e manutenção de computadores. Em média, a cada três máquinas doadas por moradores e empresas, os alunos montam um computador, que acaba instalado em telecentros comunitários.

O EcoModa oferece capacitação nas áreas de costura, modelagem, desenho e ilustração de moda e estamparia, com foco no reaproveitamento e utilização de materiais usados de vestuário.

O EcoBuffet promove a capacitação em aproveitamento integral de alimentos, culinária, empreendedorismo e educação ambiental.

O Comunidades Verdes promove cursos de capacitação em técnicas de recobrimento vegetal de muros e fachadas residenciais e encostas desprovidas de vegetação, reflorestamento e implantação de hortos comunitários.

Minc também falou sobre o Programa de Revitalização do Canal do Fundão e anunciou para julho a construção de três cais na região, uma antiga reivindicação dos pescadores; com previsão de conclusão para dezembro deste ano.

“O Programa de Revitalização do Canal do Fundão não abrangeu apenas a dragagem do canal: nós fizemos o plantio de manguezal e, ao longo de dois anos e meio, estamos fazendo trabalho de educação ambiental e cultural, de prevenção à dengue com os moradores, os pescadores e os catadores de material reciclável. E agora em julho, vamos começar a construir os três cais para os pescadores”, afirmou o secretário.

O Programa de Revitalização do Canal do Fundão compreendeu a dragagem de três milhões de metros cúbicos de sedimentos ao longo de 7 km do Canal do Fundão e o plantio de mais de 500 mil mudas de plantas, com a revitalização de áreas degradadas e a recuperação de manguezais.

A iniciativa incluiu ainda a reurbanização da Vila Residencial da UFRJ e o reforço dos pilares de sustentação da Linha Vermelha e das pontes Oswaldo Cruz e Brigadeiro Trompovski, além da construção de uma ponte estaiada ligando o Fundão à Linha Vermelha, no sentido Zona Sul, desafogando assim o trânsito, principalmente o de saída da Cidade Universitária.

 Exposição As Águas Continuam a Fluir

Criada por crianças e jovens do Complexo de favelas da Maré, a exposição tem como tema principal as águas da Baía de Guanabara onde as primeiras casas da Maré foram instaladas sobre palafitas, sustentando-se na coragem e na solidariedade dos moradores dessa comunidade.

O encerramento da exposição ganhou um colorido a mais com a apresentação da roda Maré de Samba, evento multicultural que reuniu as mais variadas formas de arte popular.

Nesses 20 dias em que a exposição permaneceu no museu, os visitantes puderam conhecer – por meio das poesias e peças feitas com pneus velhos e outros artigos recolhidos em mutirões de limpeza – o olhar de crianças do Complexo da Maré sob sua realidade.

Na exposição, maquetes, feitas com caixas de papelão, simulavam as palafitas. No seu interior, as crianças e jovens apresentavam soluções criativas para consolidar a sustentabilidade na comunidade, desde o incentivo ao uso da bicicleta como meio de locomoção à captação de água da chuva. Por meio de pipas, confeccionadas com material reciclável, os jovens apontaram problemas diagnosticados na comunidade e soluções.

Moradora da comunidade, Yasmim Duarte, 13 anos, apontou o desperdício de água como um problema da comunidade e sugeriu como medida a captação de água da chuva para ser utilizada como fonte de irrigação de telhados verdes, outra proposta apresentada pela menina.

Em outro espaço do Museu da Maré, havia a exposição de um sistema de irrigação sustentável para plantas ornamentais, feita com garrafas PET, e uma projeção sobre pipas contava a história da comunidade da Maré.

A exposição foi promovida pela artista plástica holandesa Maria Lakenmam que, há cinco anos, atua como voluntária nas favelas cariocas, e pelo diretor de artes Miguel Bandeira.

“Aqui na Maré, observei muitas crianças e jovens soltando pipas alegremente. Então, eu associei as pipas à felicidade. Então, isso é a imagem que fica para mim. Por isso é que nós a utilizamos como obra de arte”, comentou a artista plástica.

A parceria da SEA com o Museu da Maré nasceu em 2010, com as obras de dragagem do Canal do Fundão e a realização de oficinas socioambientais que já formaram cerca de 1.200 alunos. A SEA vai também construir três píeres na região, uma antiga demanda de pescadores.

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