SÍTIO DE ESPANHOL ASSASSINADO EM RIO CLARO VAI VIRAR QG DE COMBATE A CRIMES AMBIENTAIS

Decisão foi tomada após reunião entre a chefe da Polícia Civil, o secretário do Ambiente e familiares do ambientalista morto por defender a natureza

Ascom SEA

» Sandra Hoffmann

Foto: Luiz Morier

Foto: Luiz Morier

O sítio onde vivia o ambientalista espanhol Gonzalo Alonso, recentemente assassinado com um tiro na cabeça no Município de Rio Claro, no Sul Fluminense, será transformado em um Quartel-General (QG) de órgãos ambientais para ações permanentes de combate aos crimes ambientais na região.
A decisão foi tomada hoje (15/8) após reunião entre o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a chefe da Polícia Civil, a delegada Martha Rocha, familiares da vítima e o representante do Consulado-Geral da Espanha no Rio de Janeiro.
O biólogo Gonzalo Alonso era um defensor da preservação do meio ambiente da região. Além de fazer o registro de espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção, Gonzalo participava, desde 2009, do Projeto Produtor de Água e Floresta, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que remunera produtores rurais pela conservação e restauração florestal.

 

Gonzalo Alonso era conhecido por sua ação incisiva contra caçadores, palmiteiros e contra todos aqueles que agiam de forma ilícita, degradando o meio ambiente. Segundo a polícia, a principal linha de investigação é que ele foi executado por sua forte atuação contra crimes ambientais na região.
Na reunião de hoje, a delegada Martha Rocha destacou que o caso está sendo apurado com rigor e que a Delegacia de Polícia de Rio Claro, que investiga o caso, tem todo o apoio técnico da Divisão de Homicídios (DH), da Diretoria da 5ª DPA (Região Sul Fluminense) e do Departamento-Geral de Polícia Especializada.
“Recebi telefonema da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que colocou o Ibama à disposição no que for necessário para nos auxiliar neste caso. Todos nós nos sentimos afetados por este crime porque calou uma pessoa que lutava por causas ambientais de nosso país. O caso será investigado com rigor”, disse ela.

Segundo o delegado titular da 168ª DP, de Rio Claro, Marco Antonio Alves, a polícia já tem indícios da autoria do crime, e de que foi praticado por mais de uma pessoa. Ainda de acordo com as investigações, o assassino não é profissional e conhecia muito bem a região.
O secretário Carlos Minc disse que vai se reunir com o coordenador do Disque Denúncia, Zeca Borges, para discutirem a possibilidade de uma parceria no caso:
“Nós pretendemos oferecer um prêmio a quem der pistas, através do Disque Denúncia, que levem à prisão dos assassinos. Além disso, a família colocou dois galpões onde funcionaria possivelmente uma Organização Não Governamental (ONG), uma ideia do Gonzalo, a nossa disposição para ser utilizado como espaço físico para apoiar ações contra crimes ambientais que vamos desencadear na região e outros fins. Seria uma forma de homenageá-lo”, destacou o secretário.
Também presente à reunião, o chefe da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), órgão da SEA, coronel José Maurício Padrone, destacou que, na próxima semana, pretende reunir agentes das polícias Militar e Civil, Ibama e Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para o planejamento das ações que serão desencadeadas na região.
“Vamos acabar com essa máfia de palmiteiros em Rio Claro e adjacências e reprimir, com rigor, os areais e a caça a animais silvestres. A operação será permanente”, avisou Padrone.
Viúva do ambientalista, Lourdes Campos também considerou a reunião produtiva e pediu que o caso seja solucionado: “A delegada Martha Rocha disse que, se em 30 dias não tiver uma resposta, e se a família quiser procurá-la novamente, as portas estão abertas. Então, espero que com todo esse apoio a justiça seja feita”.
Também participaram da reunião os irmãos da vítima Santiago e Alfonso Alonso, o representante do Consultado-Geral da Espanha no Rio de Janeiro, Carlos Población, os delegados da Delegacia de Rio Claro, Marco Antonio Alves, o diretor da 5ª DPA (Região Sul Fluminense), Ricardo Martins, e o diretor do Departamento-Geral de Polícia Especializada, Fernando Reis.
Gonzalo Alonso Hernández era biólogo e residia no distrito de Lídice, de Rio Claro, no entorno do Parque Estadual do Cunhambebe. Desde 2009, participava do Projeto Produtor de Água e Floresta, cujo objetivo é implantar um sistema de Pagamento por Serviços Ambientais em Rio Claro, remunerando o produtor rural pela conservação e restauração florestal.

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