Robô-espião filma despejo de esgoto clandestino de mansão no Leblon

Blitz da Secretaria do Ambiente flagrou casa no Jardim Pernambuco poluindo galeria pluvial que deságua em canal e vai dar na orla de um dos bairros mais nobres do Rio

Ascom SEA

Steven McCane

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Localizada em um dos metros quadrados mais caros do Rio de Janeiro, uma mansão do condomínio Jardim Pernambuco, no Leblon, avaliada em R$ 20 milhões, foi notificada hoje (3/10) por despejo clandestino de esgoto in natura na rede de águas pluviais que deságua no canal da Av. Visconde de Albuquerque; poluindo em consequência a Praia do Leblon.

 

O proprietário da mansão será multado por infringir o artigo 93 (poluir corpos hídricos) da Lei 3469/2000, que dispõe sobre sanções administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente do Estado do Rio de Janeiro. O proprietário foi notificado pela Cedae e pelo Inea, que estabeleceram prazo inicial de 48 horas para que seja corrigido o problema.

 

O valor da multa será ainda definido pelo Conselho Diretor do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), após a análise de dados como o volume de esgoto que era despejado clandestinamente na rede de águas pluviais do Jardim Pernambuco.

 

A ligação clandestina foi detectada pela ação de um robô-espião que filma galerias de águas pluviais subterrâneas. O equipamento faz parte do serviço de teleinspeção do Programa Sena Limpa, da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), que visa a despoluir seis das principais praias da cidade.

 

O despejo ilegal de esgoto da mansão, situada no número 76 da Rua Graça Aranha, foi flagrado por técnicos da empresa Norbrasil Saneamento, contratada pela SEA, em blitz ecológica promovida pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da SEA, com a participação do secretário do Ambiente, Carlos Minc.

 

Ao constatar o crime ambiental praticado pelo proprietário da mansão, Minc afirmou, irônico: “Os filhos da família desta mansão de R$ 20 milhões mergulham no Leblon nadando no seu próprio xixi”.

 

CORANTE NA REDE

 

Para evidenciar a irregularidade praticada pela residência, técnicos da NorBrasil despejaram um corante em sua rede de saída de esgoto, mapeando então seu trajeto até uma galeria de água pluvial do condomínio. Ficou comprovado assim o crime ambiental. Também foi realizado um teste de colimetria da água que chegava à galeria pluvial, com resultado positivo para presença de coliformes fecais.

 

Controlado a distância, o robô-espião é um carrinho de inspeção um pouco maior do que uma caixa de sapato, com uma câmera acoplada para detectar ligações irregulares de esgoto em galerias de águas pluviais. À medida que percorre as galerias, filma o estado geral das tubulações, com as imagens sendo transmitidas, em tempo real, para um computador.

 

Poluir o meio ambiente com esgoto in natura é crime ambiental. Enquanto acompanha a inspeção, o secretário Carlos Minc anunciou obras de esgotamento sanitário na comunidade do Parque da Cidade, que fica no Alto da Gávea:

 

“Estão sendo licitadas quatro intervenções para canalizar o esgoto que desce da encosta da Rocinha e cai direto no canal da Visconde de Albuquerque. Além disso, faremos uma intervenção em mais três pontos para captar o esgoto da comunidade Favela Parque, junto ao Parque da Cidade, que vai parar no Rio Rainha e dali chega também ao canal da Visconde de Albuquerque. Com estas obras, que incluem a ampliação da rede coletora de esgoto conectada a elevatórias da Cedae e o aumento da capacidade de bombeamento de  esgoto dessas elevatórias, o esgoto da Rocinha e da Favela Parque vão ser levados para o emissário submarino de Ipanema. O prazo para essas obras começarem é final de outubro”, disse Minc, destacando que desde que a teleinspeção começou no Leblon, mais de dez ligações irregulares já foram identificadas.

 

O chefe da Cicca, coronel José Maurício Padrone, destacou a importância das operações de combate a ligações clandestinas de esgoto:

 

“As operações de combate às ligações clandestinas de esgoto irão continuar. Junto com a Cedae, a Cicca já forçou vários condomínios, que contribuíam para poluição do Complexo Lagunar da Barra e Jacarepaguá, a se conectarem a rede de esgoto. É um trabalho conjunto. A Cedae notifica, mas não tem o poder de polícia para encaminhar à delegacia os infratores que insistirem em descumprir o prazo para se conectarem à rede coletora”, afirmou Padrone.

 

Em sua primeira fase, o Programa Sena Limpa já mostra resultados positivos: a balneabilidade anual da Praia Vermelha já chega a 95% e a de Ipanema, a 60%. Em novembro, a SEA lançará a segunda parte do programa, com seis novas praias sendo beneficiadas. Atualmente, o programa atende às praias de São Conrado, Leblon, Ipanema, Leme e Urca, na Zona Sul, e da Bica, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio.

 

Ao deixar o condomínio Jardim Pernambuco, o secretário Carlos Minc ainda observou que o corante que havia sido despejado na rede de esgoto da mansão começou a brotar na parede do canal da Av. Visconde de Albuquerque, na embocadura de um cano de águas pluviais – o que comprovou mais uma vez o crime ambiental praticado.

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