TV Verde forma 50 alunos no Morro do Alemão

Projeto da Secretaria do Ambiente oferece cursos de capacitação em técnicas audiovisuais com cinco meses de duração

Ascom SEA

Sandra Hoffmann

Luiz Morier

Luiz Morier

As exibições de curtas-metragens e de um documentário com roteiros e edições impecáveis marcaram a solenidade de formatura da primeira turma de 50 alunos do Projeto TV Verde; iniciativa da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) promovida na comunidade pacificada do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio.

 

Bastante aplaudidos pela plateia que lotou o Cinema Nova Brasília, no Morro do Alemão, os vídeos foram produzidos e editados pelos próprios alunos da TV Verde, sob a coordenação do cineasta Paulo Balladas, que já foi diretor da TV Novo Degase – primeira TV socioeducativa do Brasil.

 

Lançado em junho deste ano, no Complexo do Alemão, o Projeto TV Verde oferece cursos de capacitação em técnicas audiovisuais com cinco meses de duração. Durante o curso, os alunos recebem uma ajuda de custo mensal no valor de R$ 120,00. A TV Verde opera no formato de webTV, veiculando seus vídeos pela internet.

 

Em clima de festa, a cerimônia começou com a apresentação de poesias, do trio de cantoras de hip-hop Negras de Atitude – com letras que questionavam a violência doméstica contra a mulher – e de dois bailarinos da comunidade que apresentaram o espetáculo Batalha dos Passinhos – uma modalidade de dança de rua nascida nas comunidades do Rio que acompanha o ritmo das batidas de funk.

 

Ao participar da cerimônia de formatura, o secretário do Ambiente, Carlos Minc, disse que o Projeto TV Verde tem como objetivo não só promover capacitação profissional para moradores de comunidades pacificadas, mas também oferecer a oportunidade dessas pessoas expressarem na tela o seu olhar:

 

“Isso completa bastante a ideia de território e cidadania, não só pelo fato de se aprender a fazer alguma coisa, mas de permitir que o morador da comunidade expresse o seu olhar. A comunicação é poder, e o cidadão não pode ser apenas o receptor dos códigos do poder. Eles têm de ser também receptores e transmissores dos códigos do poder. Essa é a verdadeira ocupação, porque descoloniza, coloca o olhar da comunidade através da música, da imagem e da cultura”, destacou Minc.

 

DEDICAÇÃO E UNIÃO

 

Coordenador do curso, o cineasta Paulo Balladas disse que ficou muito satisfeito com o engajamento dos alunos e com sua participação na produção dos vídeos:

 

“Tivemos muita sorte porque os alunos foram excelentes, todos eles se dedicaram muito e trabalharam muito unidos. Daí, a gente teve a ideia de apresentar três vídeos na formatura deles. Então, as turmas se dividiram em grupo e, a partir daí, surgiram as produções Lajes Culturais – que falam de alguns projetos que acontecem no Alemão –, Pós Elas – que retrata o ponto de vista de algumas mulheres após a pacificação – e o documentário Ocupação Verde, sobre a história do Projeto Fábrica Verde, tendo o Bruno Alcântara como fio condutor. Vamos abrir o segundo módulo e temos muita coisa ainda para oferecer”, disse o cineasta.

 

A superintendente de Território e Cidadania da SEA, Ingrid Gerolimich, destacou que as aulas da próxima turma, também com 50 alunos, começam em novembro: “A ideia é de que tenhamos duas turmas por ano. O curso tem duração de cinco meses”.

 

Além dos trailers das três últimas produções da turma, também foi exibido o documentário Ocupação Verde, que retrata a história do Projeto Fábrica Verde, iniciativa da SEA que tem o objetivo de transformar lixo eletrônico em inclusão digital, por meio do reaproveitamento de computadores, monitores e impressoras usados, com a geração de empregos para moradores de comunidades pacificadas.

 

Um dos destaques do documentário foi o personagem Bruno Alcântara, que começou como aluno da Fábrica Verde, passou a monitor e depois a professor. Bruno conta que com a ajuda de custo de R$ 600, dada aos monitores da fábrica de reciclagem de computadores, conseguiu se formar no Senac como operador de câmera, e hoje faz parte da equipe da TV Verde como auxiliar de produção:

 

“O Fábrica Verde me deu a chance de chegar a professor. Eu nem sabia que tinha essa capacidade, pois sempre tive pavor de falar em público. E hoje, estou trabalhando como auxiliar de produção da TV Verde”, disse.

 

Morador do Complexo do Alemão e aluno do curso do Projeto TV Verde, Erick Alexandre, 18 anos, também atuou no curta-metragem Benegay. Ele conta que o projeto TV Verde é uma iniciativa que está lhe dando a chance de ingressar no mercado de trabalho:

 

“As aulas também me deram a oportunidade de me expressar melhor, pois sempre fui muito introvertido. Quero muito trabalhar com comunicação, por isso eu busquei fazer o curso oferecido pelo projeto TV Verde”, afirmou.

Foto: Luiz Morier

Foto: Luiz Morier

 

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