MINC INAUGURA PRIMEIRO POLO DE RECICLAGEM DO BRASIL

Catadores do antigo lixão de Gramacho começam a trabalhar com o uso de acessórios de proteção e máquinas modernas, dando início a uma nova fase profissional

Ascom SEA

» Flor Jacq

Foto: Luiz Morier

Foto: Luiz Morier

A Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) inaugurou nesta sexta-feira (22/11) em Jardim Gramacho, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o primeiro polo de reciclagem do país. Estruturado com dois galpões, voltados para recebimento, triagem, enfardamento e estocagem de resíduos para venda, o polo empregará inicialmente 110 catadores, podendo chegar a 500. O secretário estadual do ambiente, Carlos Minc, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, fizeram a entrega das chaves aos catadores.

 

 

A criação do polo de reciclagem foi uma das demandas apresentadas pelos catadores depois do fechamento do antigo lixão de Gramacho, em 2012. O projeto começou a virar realidade com a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no qual a SEA determinou que a Petrobras investisse R$ 3,5 milhões para instalação do empreendimento, com maquinário – esteiras, moinho de PET e compactadores. Os galpões foram construídos em um terreno de 4,20 hectares em Jardim Gramacho, cedido por 20 anos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

 

 

Durante a inauguração do Polo de Reciclagem de Gramacho, que será administrado por uma rede de cooperativas – Cooperjardim, Coopercaxias, Coopergramacho, Coopercamjg e a Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano de Gramacho – Minc entregou para Tião Santos – representante do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis no Rio (MNCR) – a licença do empreendimento, emitida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), e avisou que, em breve, as cooperativas não precisarão mais de licença, desde que respeitadas as normas ambientais. Minc anunciou também o encerramento dos trabalhos no aterro de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio.

 

 

“Catar lixo sem luvas e botas, correndo o risco de se cortar, furar o pé com pregos, em meio aos porcos e urubus: isso é degradação humana. Estamos acabando com todos os lixões do estado. Já fechamos todos no entorno da Baía de Guanabara. O lixão de Gericinó será o próximo a ter os trabalhos encerrados e os seus catadores receberão, no mínimo, o mesmo tratamento que os de Gramacho: capacitação, ressarcimento e a criação de um polo de reciclagem”, disse o secretário.

 

 

Quando concluídas as obras, além dos dois galpões entregues hoje, o Polo de Reciclagem de Gramacho contará com uma creche, duas unidades de processamento e transformação de resíduos, um centro administrativo e de formação – com auditório, escritórios, salas de aula e refeitório -, cinco unidades de triagem, um galpão central para estoque e retirada de materiais para venda, além de uma área de lazer.

 

 

O ministro Gilberto Carvalho destacou o aspecto social das ações ambientais: “O Brasil é um país onde o Estado foi montado para servir a uma elite, mas isso está mudando, e são momentos como este que fazem valer todo sacrifício e os sapos que a gente tem que engolir. O Polo de Reciclagem de Gramacho será referência para todo Brasil!”. Carvalho se comprometeu em falar com empresas estatais e com a UFRJ para doarem seus resíduos recicláveis para o polo, que hoje está recebendo o material apenas da Reduc.

 

 

Presidente do Conselho de Lideranças de Gramacho e representante do MNCR, no Rio, Tião Santos, muito emocionado, falou sobre sua infância no lixão, sobre o seu inconformismo com as condições de trabalho dos catadores e comemorou a conquista do polo. Mas alertou que ainda faltam alguns passos para que os moradores de Jardim Gramacho tenham sua dignidade e qualidade de vida resgatadas.

 

 

“Se eu tivesse aceitado aquela realidade hoje eu não estaria aqui. Essa vitória é nossa, da nossa organização, mas temos que avançar na criação de empregos, na qualificação das cooperativas e trazer para esse bairro lazer, cultura e todos os benefícios sociais que um cidadão merece”, disse Tião.

 

 

Em 2012, quando o aterro de Gramacho foi fechado, a Secretaria do Ambiente assumiu um compromisso com os catadores de buscar parcerias governamentais e não governamentais para criar alternativas de geração de renda – para aqueles que queriam parar com a atividade -, e para capacitar as cooperativas que atuam no mercado de recicláveis.

 

 

Um dos resultados desses encontros foi a parceria firmada entre a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e a Secretaria Nacional de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho e Emprego (Senaes/MTE), para a execução do projeto Inclusão Socioprodutiva dos Catadores e Catadoras do Rio de Janeiro.

 

 

Coordenada pelo Pangea – Centro de Estudos Socioambientais, a iniciativa tem duração de 36 meses e vem mobilizando cerca de 2.000 catadores de 41 municípios de seis regiões do estado. O objetivo é que as cooperativas sejam contratadas pelas prefeituras e os grandes geradores e para isso projeto oferece assistência técnica, jurídica e comercial a 50 cooperativas; vem estimulando a criação de seis redes de cooperativas (uma em cada região) para maximizar o potencial produtivo e econômico da cadeia da reciclagem; além de avaliar e monitorar todas as ações voltadas aos catadores.

 

 

“A ideia é garantir autonomia em relação aos atravessadores e relação direta com o mercado. Aqui será feita a triagem de diversos materiais, principalmente de eletroeletrônicos”, disse Antonio Bunchaft, presidente do Pangea.

 

 

Situada às margens da Baía de Guanabara, o Aterro Metropolitano de Gramacho recebia, diariamente, cerca de 11 mil toneladas de resíduos  vindos do Rio de Janeiro e de outros municípios da Baixada Fluminense.

 

 

Com a inauguração do Polo de Reciclagem de Gramacho os catadores do antigo lixão de Gramacho entram em uma nova era de sua vida profissional, trabalhando em condições dignas e com máquinas modernas.

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