SEA e Ceap homenageiam Nelson Mandela

Ato ecumênico com grupos religiosos e apresentação de danças e cânticos foi palco do lançamento de maquete de espaço sagrado para religiões afro-brasileiras

 Ascom SEA

Steven McCane

Divulgação

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Ícone da luta pelo fim do apartheid, o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela recebeu hoje (19/12), no Largo da Carioca, no Centro do Rio, uma homenagem póstuma de grupos religiosos, entidades civis e governamentais que lutam contra a intolerância cultural.

Organizada pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), a cerimônia ecumênica celebrou a vida de glória do líder sul africano, conhecido por Madiba, que faleceu em 5 de dezembro.

Ao lado do conselheiro estratégico do Ceap, Ivanir dos Santos, o secretário do Ambiente, Carlos Minc, aproveitou a ocasião para lançar a maquete do Projeto Espaço Sagrado Curva do S, na Av. Edson Passos, que será construído pelo governo estadual no Alto da Boa Vista, em meio à Floresta da Tijuca, para que cultos das religiões afro-brasileiras possam ser realizados de forma sustentável, respeitando o meio ambiente.

“A homenagem ao Madiba está aqui para nos inspirar. No Brasil não há apartheid, mas tem desigualdade e discriminação racial. A gente só reencontra e reconstrói o Brasil tratando com todo respeito a matriz afro, mas também outras componentes indígenas, porque isso é nossa biodiversidade humana. Nós não podemos cuidar do pássaro e esquecer dos outros grupos que estão sendo discriminados”, disse Minc.

Com investimento de cerca de R$ 1 milhão, do Fundo Estadual da Mata Atlântica, o início das obras do primeiro espaço sustentável para prática religiosa está previsto para o primeiro trimestre de 2014, com duração de seis meses.

Segundo Minc os parques estaduais do Mendanha e da Pedra Branca, na Zona Oeste, também receberão espaços sagrados em 2014, a exemplo do Parque Nacional da Tijuca.

“Fazer um o culto sem que haja incêndios nas florestas ou poluição dos rios é um conceito novo em que meio ambiente e religião se dão as mãos e não são adversários. Locais tradicionalmente utilizados, mas sempre com conflitos e perseguições e muitas vezes com poluição, eram esquecidos. Nós viemos para garantir o culto seguro, respeitado e sem a degradação ambiental. As obras não são grandes intervenções e estão em harmonia com a natureza”, disse o secretário.

Promovido pela Superintendência de Educação Ambiental (Seam) da SEA e pelo Ceap, o ato ecumênico reuniu os grupos culturais Jongo da Serrinha, Afroreggae, Filhos de Guandy, líderes religiosos e praticantes católicos, judeus, mulçumanos, umbandistas e do candomblé – além de curiosos que paravam para observar os cânticos e danças da umbanda e as palavras em homenagem a Nelson Mandela.

Há dois anos, a Seam desenvolve o projeto contra o racismo sofrido por praticantes de religiões que realizam oferendas ao ar livre, buscando o entendimento de culturas distintas.

Para o líder religioso e articulador do Ceap, Ivanir dos Santos, o espaço sagrado será de grande importância para quebrar preconceitos com as religiões afro-brasileiras:

“Um fato notório na cerimônia de sepultamento de Nelson Mandela, pouco divulgado, foi o seguimento à risca das tradições africanas milenares. Essas mesmas tradições que buscamos praticar sem discriminação no nosso país. Não queremos impor nossa religião a outros, mas queremos ser respeitados, e um espaço comum para nossas práticas religiosas é importante.”

ESPAÇO CULTURAL CURVA DO S

O Projeto Espaço Sagrado da Curva do S contará com infraestrutura com guarita e cancela, totens de sinalização, coletores de resíduos religiosos e uma central de tratamento de resíduos religiosos, com composteira, aterro e área de separação dos materiais para reciclagem – além de um viveiro, batizado de Jardim das Folhas Sagradas, para a produção de mudas de espécies de Mata Atlântica.

O rio que margeia o Espaço contará com calhas para reter resíduos que venham a atingir suas águas, e haverá estruturas ao redor das árvores e nas margens do rio para que velas e oferendas não contaminem e prejudiquem o meio ambiente.

Regulamentar um espaço para a prática de rituais religiosos, com a preservação da natureza, é o objetivo principal do Projeto Espaço Sagrado da Curva do S. “Nós estamos na luta contra o racismo ambiental, que é a proibição ou a criação de dificuldades para o acesso de religiosos pelas autoridades aos espaços públicos. Nós estamos construindo esse diálogo aconselhando os religiosos na reeducação de suas práticas e as autoridades na permissão desses cultos”, explicou o assessor da Seam Jum Shimada.

A Floresta da Tijuca, no Parque Nacional da Tijuca, será o primeiro local a receber um espaço com essa finalidade, a ser instalado na Curva do S, no Alto da Boa Vista, próximo à entrada do parque. O Projeto Espaço Sagrado da Curva do S é resultado de parceria entre a SEA, Parque Nacional da Tijuca e Prefeitura do Rio, no âmbito da gestão compartilhada do parque.

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