SECRETARIA DO AMBIENTE INTERDITA EMPRESA POR VENDER ÁGUA CONTAMINADA EM JACAREPAGUÁ

Caminhões-pipa comercializavam produto com teor de fluoreto 36 vezes maior do que o permitido, podendo causar gastrite e complicações ósseas

» Ascom SEA

IMG_5985

Agentes da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), apreenderam hoje (19/12) dois caminhões-pipa da Empresa Transportes Água Santa Ltda-Me, por captação e venda ilegal de água contaminada para condomínio de classe média alta em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.
A empresa teve suas atividades suspensas por captar água com dose excessiva de fluoreto de um poço explorado ilegalmente no terreno de sua sede, na Estrada da Chácara, 578, no Largo do Tanque, em Jacarepaguá, e vendê-la para condomínios e empresas na Zona Oeste do Rio; configurando crime ambiental e contra a saúde pública.
Numa análise físico-química da água do poço, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) encontrou coliformes totais, termotolerantes e bactérias, além de detectar um teor de fluoreto de 54 mg/l – valor 36 vezes maior do que o tolerável para consumo humano, conforme Portaria 2419/11 do Ministério da Saúde.
O fluoreto é um sal inorgânico prejudicial ao corpo humano, pois agride certos órgãos, principalmente os digestivos, podendo provocar gastrite aguda, problemas nos ossos e, em última instância, com o uso continuado, até mesmo depressão e má formação de feto.
Pela manhã, em carro descaracterizado, os agentes da Cicca monitoraram e filmaram a ação de dois caminhões-pipa, que, após coletar a água contaminada dentro da empresa, seguiram para o Condomínio Victória Top Parque, na Estrada do Bananal, 395, na Freguesia. Ao serem abordados pelos fiscais, os dois motoristas afirmaram que os caminhões tinham sido carregados na empresa.
Por sua vez, o sindico do condomínio, Antônio Ferreira Cunha, disse ter sido a primeira vez que havia comprado água daquele local e que acreditava que tinha boa qualidade, embora não soubesse sua procedência. Segundo ele, cada caminhão-pipa custava R$ 800, mas como havia comprado dois, o dono da empresa fez por R$ 750 cada um.
O coordenador da Cicca, coronel José Maurício Padrone, afirmou que a Secretaria do Ambiente já possuía indícios suficientes para lacrar o poço e suspender as atividades da empresa por precaução. Mas optou por monitorar os caminhões até ao consumidor final para poder caracterizar o crime de comércio ilegal de substâncias nocivas à saúde humana.
“Os síndicos dos condomínios têm que estar atentos. Na hora que forem comprar caminhões-pipa, devem exigir a outorga do local de captação da água emitida pelo Inea ou um cupom eletrônico, para comprovarem que a água é procedente de um ponto de distribuição da Cedae”, disse Padrone.
O proprietário da Empresa Transportes Água Santa Ltda-Me, Juarez Rodrigues Salvador, que possui nove caminhões-pipas, foi conduzido para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e responderá por crime ambiental e contra a saúde pública. Também será multado em valor que pode ir de R$ 5 mil a R$ 1 milhão, por comercializar substancias nocivas à saúde humana, em desacordo com as exigências legais, incluindo a Portaria 2419/11 do Ministério da Saúde.
A ação mobilizou cerca de 20 agentes, entre fiscais da Cicca, do Inea e da Polícia Militar Ambiental, que, após a apreensão dos dois caminhões-pipa no condomínio, seguiram para a empresa em um comboio de cinco viaturas. Ali, flagraram caminhões-pipa, já abastecidos, que estavam prontos para a comercialização de água.
Ao inspecionarem os veículos, os agentes constataram a gravidade da situação: alguns tanques estavam completamente enferrujados no seu interior, estando, portanto, a água armazenada imprópria para o consumo humano. A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente vai investigar inclusive a procedência dos tanques dos caminhões, para saber se já foram utilizados para transportar combustível.
O secretário do Ambiente, Carlos Minc, afirmou ser intolerável a comercialização ilegal de água contaminada. “A água contaminada é a primeira causa de mortalidade infantil. São as chamadas doenças de veiculação hídrica. Vamos intensificar a fiscalização contra essa máfia da água.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s