Lixão controlado por traficantes é fechado em Caxias

Secretaria do Ambiente e prefeitura anunciam medidas para combater novos vazadouros clandestinos no entorno de Gramacho

Ascom SEA

Steven McCane

Foto: Luiz Morier

Foto: Luiz Morier

Um vazadouro clandestino controlado por traficantes foi fechado hoje (08/01) no bairro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A operação liderada pela Polícia Militar, com o apoio da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), flagrou a fuga de traficantes pela mata marginal ao lixão, que acabaram abandonando um carro roubado no local.

 

Os criminosos cobravam valor muito inferior aos aterros sanitários pela tonelada de lixo extraordinário, resíduos da área de saúde e construção civil, além de resíduos domésticos despejados por condomínios da região.

 

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, acompanhou a blitz e anunciou, ao lado do prefeito de Caxias, Alexandre Cardoso, medidas conjuntas para inibir que novos lixões clandestinos voltem a funcionar ao redor do antigo aterro de Gramacho:

 

“Estamos em fase de detalhamento do Projeto do Bairro Sustentável Jardim Gramacho e, em breve, iremos anunciar o segundo polo de reciclagem para resíduos da construção civil, que irá empregar mais 90 catadores. Vamos instalar câmeras e guaritas para monitorar a entrada de caminhões no bairro, além de refazer parte dos oito quilômetros de cerca instalados para impedir que continue o aterramento de manguezais do entorno da Baía de Guanabara.”

 

Motivada por reportagem publicada pelo jornal O Dia, a ação liderada pelo 15º Batalhão da Polícia Militar teve o apoio da Cicca, da Prefeitura de Duque de Caxias e da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiental (DMPA).

 

REMOÇÃO DO LIXÃO

 

Dez caminhões de coleta de lixo que operam para o município de Caxias iniciaram então a remoção de cerca de 400 toneladas de lixo do local, que serão totalmente enviadas para o Aterro Sanitário Bob Ambiental, no Município de Belford Roxo, também na Baixada Fluminense.

 

O prefeito Alexandre Cardoso ressaltou a dificuldade para combater o despejo irregular de lixo no local, que está diretamente ligado à cultura de mais de três décadas de catadores que atuam em Gramacho:

 

“O problema já existia há muito tempo. Com a participação do tráfico, só dificulta mais nossa ação. O Estado tem ações sociais para esses catadores, mas é complicado atrair para capacitação profissional um catador que tem renda mensal de R$ 1.500. Temos um projeto de urbanização para Jardim Gramacho pronto e já instalamos na prefeitura uma sede de monitoramento das câmeras que virão a fiscalizar a circulação de caminhões do bairro.”

 

O coordenador da Cicca, coronel José Maurício Padrone, disse que será aberto um inquérito pela DPMA para investigar as empresas que estão despejando irregularmente seus resíduos em área de proteção ambiental; crime ambiental passivo de multa de até R$ 1 milhão.

 

“Como forma de garantir sua fonte de renda com o término do lixão, esses catadores passaram a conviver nesse vazadouro clandestino com traficantes que cobravam das empresas uma taxa bem inferior à estipulada em aterros sanitários. E todo resíduo não reciclável acabava aterrando mais uma parte do manguezal do entorno da baía. Com auxílio de uma retroescavadeira, vamos colocar trilhos de trem para impedir a volta desta atividade ilegal”, explicou Padrone.

 

O secretário Carlos Minc informou que já foram mapeados outros cinco vazadouros clandestinos, e que as ações conjuntas irão continuar até acabar esse passivo ambiental que danifica os manguezais e contamina os lençóis freáticos com chorume, nos mesmos moldes do que ocorreu com os lixões remediados do entorno da Baía de Guanabara.

 

Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a previsão é de que até junho de 2014 seja concluído o projeto que torna Jardim Gramacho um bairro sustentável, em benefício de seus 22 mil moradores.

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