Indústrias químicas obrigam funcionários a lavar uniformes contaminados em casa

Alerj faz ato público contra empresas que descumprem lei de saúde do trabalhador

Minc em ato público

Com um varal de roupas “contaminadas” e uma faixa com os dizeres “Roupa suja não se lava em casa”, sindicalistas e médicos do Ministério da Saúde participaram, nesta terça-feira (20/5), em frente ao Sindicato das Indústrias Químicas, no Centro do Rio, de ato público contra as empresas do setor que obrigam seus trabalhadores a lavar seus uniformes contaminados em casa; como a Nitriflex, Brasken e Lanxess.

O presidente da Comissão pelo Cumprimento das Leis da Alerj (Comissão do Cumpra-se!),deputado Carlos Minc, afirmou que o não cumprimento da Lei da Roupa Suja, que obriga as empresas a lavar os uniformes ou contratar serviços de terceiros, determina como punição multa de R$ 1 milhão e interdição em caso de reincidência – além de ação judicial por crimes ambientais e ressarcimento às famílias contaminadas.

“Realizamos audiência pública com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Fiocruz, Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Caxias, Fundacentro e Sindicato dos Petroleiros em que foram escolhidas seis leis da saúde do trabalhador para verificarmos quais empresas cumprem ou não as leis estaduais. A Comissão do Cumpra-se! e esses setores decidiram elaborar a Lista Suja das empresas que descumprem leis de proteção à saúde do trabalhador”, disse Minc.

A exposição continuada a substâncias químicas como chumbo, cádmio, mercúrio e zinco, dentre outras, pode causar graves danos à saúde após longo período de tempo. Como os trabalhadores dessas empresas têm que lavar seus uniformes em casa, toda a família acaba sob risco de ser contaminada.

“Metais pesados, de uma maneira geral, põem em risco a saúde do trabalhador, principalmente, do sistema nervoso central. São substâncias cancerígenas que atacam o fígado e rins, levando a casos de insuficiência renal aguda ou crônica. Determinadas substâncias são mutagênicas, podendo levar a defeitos no feto, caso a mulher esteja grávida”, disse o médico Luiz Roberto Tenório, especialista em medicina do trabalho, que participou do ato público de hoje.

“As empresas Nitriflex, Brasken e Lanxess, do Polo Petroquímico de Duque de Caxias, possuem empresas terceirizadas empregando milhares de trabalhadores, e que são obrigados a carregar para casa a poluição, com suas roupas impregnadas de substâncias químicas que contaminam suas esposas e seus filhos”, criticou Minc. 

As informações contra essas empresas – levantadas por sindicatos e especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – constarão de representação ao Ministério do Trabalho e à Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde.

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