Delegado Zaccone recebe medalhas Tiradentes e Pedro Ernesto 

Em festa no Circo Voador, Minc e Renato Cinco homenageiam policial por sua defesa dos direitos humanos e descriminalização do uso da maconha

Ascom

Benecca Vasconcellos

Conhecido por sua luta em defesa dos direitos humanos e por defender uma Política Democrática de Drogas, como a descriminalização do uso da maconha, o delegado da Polícia Civil Orlando Zaccone recebeu, nesta segunda-feira (1/12), no Circo Voador, no Centro do Rio, as medalhas Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), e Pedro Ernesto, da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

A homenagem a Zaccone foi realizada durante o evento MANIFESTA, produzido pela Brigada Organizada de Cultura Ativista (BOCA) e a Tva2 Filmes, que teve exibição do filme O Estopim, sobre a Política de Segurança Pública, e roda de reggae com Dom Lampa, Marcelo Yuka, BNegão, MCs Júnior e Leonardo, A Filial e Dub Ataque, entre outros.

Entregues pelo deputado estadual Carlos Minc e pelo vereador Renato Cinco, as medalhas Tiradentes e Pedro Ernesto são destinadas a premiar pessoas que prestaram relevantes serviços à causa pública do Estado do Rio de Janeiro.

“Na minha vida, dei pouquíssimas medalhas. Entre as pessoas que homenageei, foram Betinho, que lutava contra todas as discriminações, e o Chico Mendes, que lutava pelas reservas extrativistas da Amazônia. E hoje, tenho um grande prazer de homenagear o delegado Zaccone pelo belo trabalho que vem fazendo à frente da Polícia Civil. Ele é o nosso Pepe Mujica da Polícia, um cara que tem a coragem de ir contra o senso comum reacionário e hipócrita. No Brasil, existem dezenas de milhares de usuários presos, infestando as prisões. Nós temos e vamos continuar nossa luta contra a criminalização da maconha”, disse Minc.

O delegado Zaccone teve atuação destacada no emblemático Caso Amarildo, em que o assistente de pedreiro foi sequestrado, torturado e morto por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora da Favela da Rocinha. Após as investigações comandadas pelo delegado, foram presos e denunciados à Justiça 24 policiais militares; inclusive o comandante da unidade.

Zaccone é defensor do chamado direito penal minimalista, que procura evitar, sempre nos limites da lei, a repressão e a punição, e é representante da LEAP Brasil (Law Enforcement Against Prohibition), entidade internacional formada por agentes da lei contra o proibicionismo.

“Quero agradecer ao Minc e ao Cinco pela homenagem. E que, em 2015, não nos dispersemos, vamos nos unir mais e continuar nossa luta política. Temos um lado na história do filme e nós temos outro na luta política, e não podemos abrir mão desse lado em momento algum. Vamos esquecer o que nos separa e buscar aquilo nos une. Muito obrigado por tudo!”, agradeceu Zaccone.

“Orlando é um camarada e um companheiro que trava um bom combate, e que tenho certeza que, em algum momento da vida dele, ele resolveu encarar um desafio dificílimo, que é ser um bom combatente dentro da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Tenho certeza, também, que existem outros policiais como o Zaccone, mas a questão da polícia na nossa sociedade não é uma questão de caráter pessoal dos policiais. Vivemos numa das maiores desigualdades sociais do planeta, a luta contra esse Estado Penal no Brasil, que é totalmente injusto, e contra essa verdadeira guerra aos pobres, é uma das questões centrais que temos que enfrentar. E o Orlando Zaccone cumpre muito bem esse papel. De dentro da instituição, enfrentar o que ele enfrentou no Caso do Amarildo é colocar o pescoço em risco, e o que não falta pra esse camarada é coragem”, disse Cinco.

LUTAS LIBERTÁRIAS

O vereador Renato Cinco, que defende a legalidade das manifestações públicas em defesa da legalização das drogas, é também conhecido pela sua militância pelos direitos humanos, em que participa da construção de fóruns e de debates sobre o tema.

Além das tradicionais causas ambientais, Minc também é conhecido por suas lutas libertárias e tem pautado suas atividades parlamentar e social na defesa de outras bandeiras, dentre elas, no estabelecimento de uma moderna legislação sobre drogas no Rio e no país. Como foi o caso da aprovação da Lei 4074/03, que estabeleceu diretrizes para a prevenção, o tratamento e os direitos dos usuários de drogas e dependentes químicos.

Para Minc, o consumo de drogas deve ser tratado não como um caso de polícia, mas sim de família, de escola e de saúde pública:

“Em 1998, conseguimos acabar com a Gratificação Faroeste aqui no Rio de Janeiro, quando o secretário de Segurança Pública da época, que era o general Cerqueira, instituiu que quem matasse mais, ganhava mais. E se viu um aumento em três vezes do número de mortes, na maioria, de negros e pobres, onde a maior parte delas eram execuções. Foi uma guerra para derrubar esse bônus, mas conseguimos.”

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