Minc e Molon articulam ações na Maré

Moradores, deputados e Força de Pacificação acertam criação de Ouvidoria e ampliação de canais de comunicação para denúncias

Molon, General De Souza,  e Minc chegam na reunião na Sede da Força de Pacificação. Foto: Comunicação Social da Força de Pacificação Maré

Molon, General De Souza, e Minc chegam na reunião na Sede da Força de Pacificação. Foto: Comunicação Social da Força de Pacificação Maré

Em reunião com o comandante da Força de Pacificação do Complexo da Maré, general De Souza, que contou com a participação de lideranças da comunidade, os deputados Carlos Minc e Alessandro Molon articularam a aprovação de quatro compromissos entre as partes, que discutiram a escalada de episódios violentos envolvendo moradores e soldados do Exército:

Minc e Molon vão atuar junto às secretarias sociais dos governos estadual e municipal em busca de assistência à família de Vitor Santiago Borges, ferido gravemente por soldados do Exército há um mês; será montada uma Ouvidoria, com telefone, para denúncias de moradores em relação a eventuais arbitrariedades cometidas por militares; representante da Força de Pacificação voltará a participar, semanalmente, de programa da Rádio Maré FM, para ouvir moradores e esclarecer pontos da atuação dos militares; e serão agregados novos organismos de representação dos moradores, como da Rádio Maré e do Museu da Maré, em reuniões com a Força de Pacificação.

O encontro foi articulado por Minc e Molon, a pedido lideranças da comunidade, devido ao crescimento da tensão vivida por moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte, que convivem há quase um ano com militares do Exército, que atuam como Força de Pacificação. Várias pessoas já foram feridas e houve pelo menos cinco mortes.

Em 12 de fevereiro, houve um incidente lamentável que acirrou mais ainda os ânimos: o morador Vitor Santiago Borges, 29, foi ferido gravemente quando o carro onde estava com amigos foi alvejado, inexplicavelmente, por soldados do Exército. Segundo familiares e amigos, Vitor é trabalhador, uma pessoa do bem. Devido aos ferimentos, teve a perna esquerda amputada e ficou paraplégico. Internado até hoje, está com problemas de respiração, e pode ter que passar por delicada cirurgia nos pulmões, semana que vem.

“Meu filho não é bandido, é trabalhador. Eu exijo essa resposta: o que vai ser feito do meu filho?”, questionou, aos prantos, Irone Maria Santiago. “Enquanto eu tiver olho e boca para falar, perna para andar, vou correr atrás dos direitos do meu filho.”

EM DEFESA DAS UPPS

Ao afirmar que defende “a política das UPPs”, Minc disse ser importante que o Exército aprimore sua atuação na região, aprendendo com os erros, para não se chegar “a uma situação de quebra de confiança da população em relação à Força de Pacificação”.

Por sua vez, Molon se referiu a “uma reportagem” de jornal que traz diálogo em uma rede social de um major da PM, que teria sido escolhido para comandar uma das UPPs que serão instaladas na Maré após a saída do Exército, em junho próximo. “Foi a pior possível”, disse, lembrando os termos utilizados, como se os policiais militares fossem partir para uma “guerra” na Maré.

Minc e Molon se comprometeram, então, em conversar com autoridades do governo estadual, em especial com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, para que as futuras UPPs da Maré tenham como filosofia de atuação políticas de pacificação, com maior participação popular.

Estavam presentes na reunião, por parte dos moradores, o diretor do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (Ceasm), Lourenço Cezar da Silva, o líder comunitário do Coletivo Político da Maré, Rodrigo Borges, o diretor do Rádio Maré FM, Wladimir Aguiar, e o cineasta Cadu Barcellos, diretor de um dos episódios do filme Cinco Vezes Favela. Uma das queixas básicas foi a falta de canais de interlocução com os moradores.

O comandante da Força de Pacificação, general De Souza, acatou de imediato duas sugestões dos moradores: a criação de uma Ouvidoria e a presença de mais entidades representativas do Complexo da Maré em reuniões com os militares. Até agora, apenas associações de moradores têm participado. “O canal de comunicação com a comunidade é muito frágil. A gente precisa de um canal mais direto”, disse Lourenço.

Presente à reunião, que durou pouco mais de duas horas, o representante do Comando Militar do Leste, general Jorge Smicelato, disse que o Exército está atento às reclamações e pronto para fazer os ajustes necessários. Segundo ele, a atuação dos militares tem sido bem planejada, com poucos episódios negativos.

A título de exemplo, ele deu números dos confrontos diários com traficantes de drogas que indicam uma atuação militar equilibrada: existem 3.000 militares participando da Força de Pacificação na Maré, e que levam uma média de 200 tiros por dia, disparados por traficantes. “Mas respondemos com, no máximo, cinco, seis tiros por dia.”

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