Moradores do Alemão pedem volta de projetos sociais

Em reunião promovida por Minc e Molon, comandante-geral das UPPs admite erros e defende fim da violência

Ascom

Benecca Vasconcellos

A desativação de importantes projetos sociais no Complexo do Alemão, como a Fábrica Verde, EcoModa e TV Verde, e a falta de uma Ouvidoria permanente para atender as Unidades de Polícias Pacificadora (UPP) da região foram os principais temas abordados na reunião de hoje (27/4) com os comandantes locais das UPPs de Nova Brasília, Fazendinha e Alemão e do comandante-geral das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), coronel Luis Cláudio Laviano.

Convocada pelos deputados Carlos Minc e Alessandro Molon, a audiência contou com depoimentos de vários moradores, que também reclamaram da falta de confiança no trabalho realizado pela polícia, após agressões e duas mortes no Alemão nos últimos tempos. Mas a maior parte das queixas foi em relação à desativação de projetos sociais nas comunidades.

“Queremos voltar com os projetos sociais que já existiam na comunidade, quando fui secretário do Ambiente, e que foram desativados pela atual gestão. Tenho falado com o atual secretário, ele disse que está aperfeiçoando os projetos, mas que serão retomados. Na semana que vem, irei me reunir com o governador Pezão, e uma das coisas irei cobrar é a aceleração da volta desses importantes projetos sociais. Temos que aperfeiçoar a Ouvidoria Móvel que já existe, ela precisa ser um canal ágil e permanente. O trabalho realizado pela Ouvidoria, além de direcionar para os órgãos competentes, precisa mostrar aos moradores os resultados das denúncias, como uma mudança de comportamento ou um afastamento”, disse Minc.

Vítima da violência de um policial do Batalhão de Operações Policias Especiais (Bope), a jovem moradora da comunidade da Grota, Rafaela Bernardinno, contou, emocionada, o drama que viveu com a família dentro de casa.

“No mês passado, minha casa foi arrombada por um policial do Bope. Minha irmã tinha chegado do trabalho e estava com meu irmão e meu sobrinho, de 4 e 9 anos. Aquele policial bateu no portão com muita truculência e ela correu pra dentro. Ele e outros policiais arrombaram o portão, e minha irmã pediu para que não entrassem por causa das crianças. Mas um dos agentes do BOPE não quis saber e deu dois socos na cabeça dela. Minha irmã bateu com a cabeça na parede e começou a chorar”, afirmou Rafaela, ressaltando que esse tipo de atitude vai contra a autoridade de um agente de segurança. “Ali, eu perdi toda confiança em qualquer polícia.”

Minc e Molon propuseram a instalação de uma Ouvidoria fixa no complexo para a coleta de denúncias sobre atos de violência praticados no Alemão por policiais militares. A Polícia Militar mantém há cerca de um ano a Ouvidoria da Paz, que, de forma itinerante, atende a 38 UPPs. A ideia é se ter uma fixa no local, o que fortaleceria o trabalho. A proposta foi bem recebida, mas os policiais presentes relataram que, por hora, não existem verbas para a instalação.

Minc defendeu que uma parte dos R$ 80 milhões recentemente aprovados pela Alerj para a modernização das UPPs possa ser utilizada para ajudar na instalação da Ouvidoria fixa do Alemão.

Em resposta aos moradores, o coronel Laviano acabou dando um depoimento emocionante, assumindo erros e afirmando que não interessa para a PM a continuidade desse clima de violência:

“Os policiais cometem erros, somos seres humanos. Nós passamos por um processo de formação, e eu garanto para vocês que a escola que frequentamos não ensina a matar, a roubar, ou agredir. Mas, infelizmente, depois que saímos dessa escola, cada policial tem seu livre-arbítrio, cada um escolhe seu caminho. Mas a grande maioria quer o caminho do bem. Não queremos mais violência, e quando falo nós, são vocês como comunidade e nós como policiais. Porque nós policiais também já estamos cansados, e isso é uma guerra sem fim, não tem vencedor, só tem vítima nessa situação”, disse.

O pastor Daniel Marinho, líder comunitário da Grota, defendeu ações básicas pelo Poder Público no Complexo do Alemão, como a coleta de lixo e a retomada de projetos sociais que promovam paz, cultura e educação para os jovens. “Tiveram erros e não foram poucos. Mas só se constrói paz com amor e diálogo e não com briga e bala”.

FOTO: Moradores do Alemão reclamam de ações da PM e pedem volta de projetos sociais no complexo

Moradores do Alemão reclamam de ações da PM e pedem volta de projetos sociais no complexo

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