Areia de praças e creches do Rio coloca em risco saúde de crianças

DEU NA MÍDIA

TV Record (28/8/2015): Areia dos parquinhos está contaminada

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Para evitar contaminação detectada por Fiocruz, Minc quer aprovar PL que obriga responsáveis a monitorar e evitar poluição por fezes de cachorros e mendigos 

Quem planeja levar as crianças para brincar em praças públicas do Rio, deve pensar bem antes de frequentar esses espaços. Preocupada com a possibilidade de contaminação dos frequentadores, a Comissão pelo Cumprimento das Leis da Alerj, a Comissão do Cumpra-se!, encomendou à Fiocruz uma análise da qualidade ambiental da areia de parques, praças e creches municipais das zonas Norte, Sul e Oeste da cidade, onde brincam milhares de crianças.

O resultado das amostras coletadas foi apresentado hoje (28/8) em ato público na Praça do Leme, Zona Sul do Rio, promovido pelo presidente da Comissão do Cumpra-se!, deputado Carlos Minc.

Dos 13 pontos analisados, somente uma faixa de areia seca, na Praia Vermelha, na Urca, ao lado da Creche Municipal Gabriela Mitral, e a Creche Bambalalão, na Freguesia, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, não representam uma ameaça à saúde de crianças. O diretor da creche na Freguesia, que é particular, cobre a área com areia, quando não está em uso, evitando, assim, a contaminação dos frequentadores.

Um dos locais mais contaminados detectados pela pesquisa é a Praça do Leme, muito frequentada por crianças,  como alunas e alunos de uma escola municipal, em frente à praça. Ao lado, existem também uma unidade do Exército e da Comlurb. Mas, mesmo assim, cachorros circulam pela praça ao longo do dia, além de mendigos à noite, usando-a como banheiro.

A exemplo da Praça do Leme, fezes de cachorros, de pombos e mendigos são apontadas como as maiores fontes de contaminação das áreas analisadas.

Além do resultado das amostras, Minc disse que pretende aprovar em breve, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o Projeto de Lei 585/2015, que obriga o monitoramento semestral da qualidade da areia desses locais, destinados ao lazer e à recreação, além de obrigar seus responsáveis a promover o tratamento, limpeza e conservação da areia, para prevenir agentes transmissores de doenças.

“Estamos numa área nobre do Rio. Essa praça está contaminada, e os pais e responsáveis não têm a menor ideia disso, e as autoridades também não. Não há prevenção, e é um risco para a criançada contrair inúmeras doenças. Com esse PL, vamos informar, monitorar, prevenir e ter um padrão de referência. E quem descumprir, receberá multa, podendo até ocorrer a interdição do local. Esperamos que outros estados do país também assumam esse compromisso com a saúde da população”, afirmou Minc.

“A contaminação da areia desses espaços é profundamente danosa à população, principalmente para as crianças, que, brincando, levam suas mãos à boca. As doenças diarréicas são umas das principais causas de óbito de crianças até os dois anos de idade. É a população de maior risco”, disse o médico e especialista Luiz Roberto Tenório, que participou do ato público.

Em Jacarepaguá, o Bosque da Freguesia apresentou altos níveis de coliforme, fungos e parasitas. Em outro lado da cidade, em uma área carente da Zona Norte, na Tijuca, no Morro do Borel, a creche municipal Chácara do Céu também apresenta altíssimos índices de contaminantes.

Outra área degradada – e badalada – é a Praça Saens Peña, onde crianças brincam diariamente.

Os resultados obtidos caracterizam uma situação de alerta à saúde dos frequentadores, sujeitas a contrair doenças como toxicoplasmose, candidiose e asccariadise, uma vez que mais de 90% das amostras coletadas foram negativas.  Os sintomas são os mais diversos, tais como dores abdominais, micoses, sapinhos, diarreias agudas.

“Encontramos níveis contaminantes assustadores nesses locais. Com esse PL do deputado Minc, será possível fazer um controle maior desses espaços. Existe a Lei Orgânica do município do Rio que fala sobre isso, mas não existe lei específica para creches e praças. Portanto, o PL 585/2015 normatizaria os padrões, principalmente de qualidade, que poderiam colocar em risco a saude da população, principalmente de crianças, expostas a contrair bicho geográfico, que perfura a camada superficial da pele”, disse a especialista da Fiocruz Adriana Sotero.

Morador do Leme, Anderson Locatelli afirma que não sabia que a areia estava contaminada: “Costumo trazer meu filho aqui para brincar, desconhecia a situação da areia. Antigamente, aqui era melhor um pouco. Mas agora, sabendo disso, vou levá-lo para brincar em outro lugar”, disse.

FOTO: Crianças brincam na Praça do Leme, uma das áreas contaminadas apontada por estudo 

FOTO: Minc detalhou o resultado das amostras da Fiocruz

Crianças brincam na Praça do Leme, uma das áreas contaminadas apontada por estudo

Minc detalhou o resultado das amostras da Fiocruz

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