Estado Maior da PM diz que sistema de controle de armamento continuará manual

Ao contrário do que afirma cúpula da PM, CPI das Armas apurou que número de roubos e extravios de armamentos tem aumentado

Ao falar hoje (29/10) na CPI das Armas da Alerj, que apura o sumiço de 679 de armas e de milhares de munições em unidades da Polícia Militar de 2005 a 2015, o chefe operacional do Estado Maior da PM, coronel Lima Freire, surpreendeu os parlamentares ao afirmar que o sistema de controle manual de armamentos, em livros de anotações em batalhões da corporação, irá continuar.

Respondendo ao relator, deputado Luiz Martins, o coronel afirmou ainda desconhecer o relatório da CPI das Armas de 2011, que foi encaminhado com recomendações de aprimoramento de controle das armas utilizadas pela PM. E admitiu que o sistema informatizado de controle implantado em 2012 (SistMatBel), para melhorar e dar transparência ao controle de armas em todas as unidades da PM, ficou “inoperante” de 2013 a 2014, por falta de alimentação de dados.

Além disso, a CPI das Armas apurou que, ao contrário do que afirmou o corregedor geral da PM, coronel Yunes, na sessão da semana passada, os números de roubos e extravios de armamentos não diminuíram. Os números vêm aumentando, e o pior ano foi justamente 2014, quando o SistMatBel não estava funcionando: 122 armas foram roubadas ou extraviadas.

Ao contrário do que foi apurado até agora, o chefe operacional do Estado Maior da PM procurou atenuar os dados apresentados, afirmando que pelo menos a metade das 679 armas já foi localizada, e que outra parte foi roubada ou furtada de policiais nas ruas por bandidos, e não dentro de batalhões da corporação.

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, deputado Carlos Minc, considerou “graves” algumas informações fornecidas pelo chefe operacional do Estado Maior, em especial a inoperância, por dois anos, do SistMatBel e a informação de que o Estado Maior da PM não pensa em avançar com a informatização total do sistema de controle, já que o sistema manual, em cada unidade, estaria funcionando a contento. Contradizendo o que foi afirmado na CPI na quinta-feira passada pelo coronel Yunes.

“O ano de 2014 foi o pior que analisamos até agora. Isso pode ter a ver com essa falta de controle. É grave esse sistema informatizado ter ficado inoperante por dois anos”, disse Minc. “Nós queremos aperfeiçoar o sistema de controle e substituir o livro de anotações manuais, por técnicas de rastreamento, chips e filmagem dos paióis.”

O coronel Lima Freire também surpreendeu ao comentar e modificar os dados do relatório da Corregedoria à CPI: “Não houve extravio dessa munição. Essa munição foi empregada em treinamento, e o responsável não teve o zelo de informar esse uso à corporação”.

Na semana que vem, os integrantes da CPI das Armas –  que tem como vice-presidente a deputada Martha Rocha, ex-chefe da Polícia Civil – ouvirão os depoimentos do coordenador de Fiscalização de Armas e Explosivos da Polícia Civil, delegado Rafael Willis Fernandez, e da corregedora interna da Polícia Civil, delegada Adriana Mendes.

FOTO: Octacílio Barbosa

Coronel Lima Freire durante reunião da CPI de Armas

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