Polícia Civil diz que maioria das 1.049 armas que sumiram em dez anos foi roubada de policiais

Coordenador de fiscalização diz na CPI das Armas que sistema de controle de armamento é informatizado e está sendo aprimorado

Em depoimento hoje (5/11) à CPI das Armas, na Alerj, o coordenador de Fiscalização de Armas e Explosivos da Polícia Civil, delegado Rafael Willis Fernandez, disse que  “a maioria” das armas que desapareceram, de 2005 a 2015, foi furtada ou roubada de policiais, alguns tendo sido assassinados. Segundo documento enviado pela cúpula da Polícia Civil à CPI, que é presidida pelo deputado Carlos Minc, nesse período de dez anos, foram extraviadas ou subtraídas 1.049 armas acauteladas com policiais. Além disso, sumiram 504 carregadores, projéteis, estojo e cartuchos de munição.

Ao contrário do sistema de fiscalização manual utilizado pela Polícia Militar, o delegado Rafael Willis afirmou que o sistema de controle de armamento da Polícia Civil é informatizado, mas que esse sistema está sendo aprimorado, para que todas as armas de criminosos apreendidas sejam fotografadas no momento em que chegam às delegacias. E, em breve, será realizado um recadastramento de todo esse armamento.

Com as informações apuradas até agora de sumiços de armas da Polícia Militar, da Polícia Civil, Sistema Penitenciário e de empresas de segurança privada, o presidente da CPI está preocupado. “A maioria dessas armas acaba nas mãos do crime organizado. Os números têm aumentado anualmente, e, até agora, há poucas punições”, disse Minc.

Segundo informou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, dos 1.870 inquéritos sobre roubos, furtos ou extravios de armas abertos, somente 42 foram transformados em ações judiciais. “Apenas 3% dos inquéritos resultaram em denúncias à Justiça. A impunidade permite a continuidade do crime”, afirmou Minc.

Em seu depoimento, Rafael Willis criticou a falta de integração entre os dois sistemas de registros de armas de fogo, que não se conectam: o Sistema Nacional de Armas (Sinarm), gerido pela Polícia Federal, e o Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma), pelo Exército. “Se esses bancos de dados não se comunicam, e se não temos acesso a eles, nunca teremos um sistema informatizado fidedigno. Não é possível realizar investigações da maioria dos armamentos apreendidos”, enfatizou.

Segundo o Estatuto do Desarmamento, as munições que são comercializadas no Brasil para as forças policiais possuem numerações, mas as que são comercializadas para as empresas privadas, não. “Quando você apreende um lote de munição com uma quadrilha, como você vai fazer esse rastreamento? É preciso mudar isso”, continuou o delegado.

Rafael Willis concordou com a crítica feita pelo deputado Zaqueu Teixeira em relação ao fim da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), em 2012. A Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE) é apenas uma coordenadoria, e não tem poder de investigar. A CPI proporá que a CFAE volte a funcionar como uma delegacia investigativa.

A Corregedora-Interna da Polícia Civil, delegada Adriana Mendes, que também falou na CPI da Armas, não trouxe os dados solicitados pela CPI sobre os procedimentos abertos e agentes punidos. Mas se comprometeu a enviá-los em dez dias para os parlamentares.

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