CPI das Armas quer checar funcionamento de Sistema de Material Bélico  

 

Atraso no funcionamento do SisMatBel impossibilitou trabalho de reeducação de PMs que mais atiraram entre 2012 e 2014

Após ouvir os três PMs que mais deram tiros em ações da Polícia Militar do Rio de Janeiro, de janeiro a outubro de 2015, o presidente da CPI das Armas da Alerj, deputado Carlos Minc, achou gravíssimo que o trabalho de apoio psicológico e de reeducação de suas atividades só possa ter começado este ano, devido ao não funcionamento, até então, do SisMatBel, o Sistema informatizado de Material Bélico.

Só a partir do funcionamento do SisMatBel, foi possível que o Comando da PM pudesse detectar os policiais que mais atiraram, e, assim, proceder a cursos de reciclagem. Agora, a CPI vai marcar uma vistoria no SisMatBel, no Quartel-General da PM, para checar o seu real estado de funcionamento.

Outro dado chamou a atenção da CPI: os três policiais que mais atiraram – os sargentos Flávio Pereira Morais, Anderson Faria Merces e Nei Chagas Córdova – estão lotados no 41º BPM, em Irajá (Zona Norte), onde trabalham os PMs que, há duas semanas, fuzilaram cinco rapazes em Costa Barros, crivando de balas o carro onde estavam. Jovens trabalhadores, sem antecedentes criminais.

O sargento Anderson  Merces foi citado pela Delegacia de Homicídios como presente no local de onde foram disparados os tiros que causaram a morte da menina Maria Eduarda, de 11 anos, em dezembro de 2014 na favela Para Pedro.

Além de vice-campeão de tiros em 2015, com 11.500 disparos, o 41º. Batalhão da Polícia Militar abriga os PMs que, individualmente, mais deram tiros em ação.  Uma semana antes da morte dos rapazes, o então comandante do 41º. BPM, coronel Marcos Neto, fez preleção com orientações para um novo tipo de abordagem, para se evitar confrontos armados. Mas, mesmo assim, PMs do batalhão mataram os jovens dentro do carro. Segundo a perícia, o carro foi alvejado com 111 tiros.

Para Minc, a situação de trabalho dos policiais do batalhão, descrita pelos três sargentos, é estressante e mostra planejamento deficiente. “A CPI vai propor medidas de reformulação, para que a Polícia Militar deixe de ser a que mais mata e onde mais morrem policiais.” Um dos pontos estudados é sugerir mudanças na escala de plantão dos policiais, que tem que trabalhar 24 horas, para ter 72 horas de folga.

Dos três PMs ouvidos hoje, o sargento Flávio Pereira Morais foi o que mais disparou em 2015: 606 tiros. Segundo ele, o 41º BPM está situado numa área conflagrada, com três complexos de favelas (Acari, Chapadão e Pedreira) disputados por três facções de traficantes. Ele descreveu uma situação difícil de trabalho, em que  atuam nesta área conflagrada por até 20 horas seguidas, sem dormir, por conta do turno de 24 horas por 72 horas.

“Efetuei 606 disparos. Mas não sumiu munição, não houve desvios. Efetuei esses disparos porque lá é uma área de guerra. Não atirei para o alto, não atirei em inocentes. Atirei em marginais, pessoas que atentaram contra nós e a população”, afirmou.

O comandante do Centro de Instrução e Adestramento de Tiro e Armamento da PM, tenente-coronel Marco Aurélio Santos confirmou que, embora tivesse sido implantado há quatro anos, o SisMatBel só começou a funcionar de fato em 2015, o que possibilitou detectar os policiais que mais atiraram – e que passaram então por atendimento psicológico e cursos de reciclagem. “Eles foram identificados não como forma de punição, mas de prevenção, para analisarmos sua situação psicológica, para se reduzir o uso letal de armas de fogo.”

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