Coronel afirma que controle informatizado de armas da PM nunca funcionou

Ex-chefe do Estado Maior diz na CPI das Armas que SistMatBel não tem equipamentos nem pessoal adequados para fiscalizar uso de armamento

Em depoimento hoje (25/2/2016) à CPI das Armas da Alerj, o coronel da reserva Ricardo Pacheco, que foi chefe administrativo do Estado Maior da Polícia Militar no período em que houve mais extravio de armamentos das unidades da corporação, em 2014, descreveu um quadro precário de fiscalização interna e de investimentos no setor.

Segundo Pacheco, nunca houve, por parte do governo, dotação orçamentária para a modernização do sistema de controle, os policiais militares que trabalham no setor não contavam – e não contam – com formação adequada em tecnologia da informação e o chamado SistMatBel – Sistema Informatizado de Material Bélico da PM – era e continua sendo inoperante.

Diante da situação precária descrita pelo depoente, o presidente da CPI das Armas, deputado Carlos Minc, desabafou: “Não podemos nos conformar com essa situação. Em pleno século 21, temos um sistema pré-jurássico de controle de armamento, com anotações manuais em livros usados e o SistMatBel sem funcionar. Enquanto isso, as armas continuam sumindo, parte indo parar na mão da bandidagem”.

O coronel Ricardo Pacheco foi responsável pela operação do SistMatBel no período em que chefiou o setor administrativo do Estado-Maior da PM, de agosto de 2013 a novembro de 2014. Pacheco foi convocado para falar porque, em depoimento anterior à CPI das Armas, em outubro de 2015, o atual chefe operacional do Estado Maior, coronel Lima Freire, havia dito que o SistMatBel, implantado em 2012, ficou inoperante em 2013 e 2014, por falta de alimentação de dados, no período em que o coronel Pacheco esteve à frente da chefia administrativa do Estado Maior da PM.

No entanto, em seu depoimento de hoje, o coronel Pacheco contestou essa declaração, afirmando que apenas havia sido implantado “um sistema piloto”, em três ou quatro das mais de 50 unidades operacionais da PM em todo o estado. Sistema este que nunca funcionou direito. Segundo ele, era um “sistema que travava a todo instante” e que nem contava com pessoal capacitado em informática para operá-lo adequadamente.

Para piorar a situação descrita, Pacheco afirmou que nunca houve dotação orçamentária para investimentos em novos equipamentos e na formação de profissionais para que o SistMatBel fosse efetivamente implantado em todas as unidades operacionais da Polícia Militar. “Continua tudo como dantes. O SistMatBel não roda hoje como deveria rodar. Isso é uma realidade”, afirmou.

FISCALIZAÇÃO NO SISTMATBEL

A declaração do coronel Pacheco serviu para reforçar a importância da vistoria que os integrantes da CPI das Armas farão na central do SistMatBel, no prédio do Comando-General da Polícia Militar, no Centro do Rio, na quinta-feira da semana que vem. Além disso, o relator da CPI das Armas, deputado Luiz Martins, já começou a fazer um levantamento detalhado de tudo que foi destinado, no orçamento estadual, para a modernização do controle de informatizado das reservas de materiais bélicos da PM.

A CPI das Armas investiga o extravio de armas e munições nas unidades da Polícia Militar, da Polícia Civil e das empresas de Segurança Privada no período e 2005 a 2015. E a situação levantada até agora é alarmante: em dez anos, foram extraviadas (por roubo, furto ou perda) mais de duas mil armas – sendo 635 na Polícia Militar (122 desaparecidas somente em 2014).

Além de indicar uma fiscalização precária, os números levantados até agora indicam também um alto grau de impunidade. Na PM, por exemplo, de 68 Inquéritos Policiais Militares instaurados, por conta dos extravios, apenas um acabou sendo denunciado à Justiça pelo Ministério Público.

O depoimento de hoje do coronel Ricardo Pacheco teve que ser autorizado pela Justiça do Rio, já que ele se encontra preso, há mais de dois meses, acusado de comandar esquema de desvio de verba do Fundo de Saúde da Polícia Militar. Pacheco, que se disse vítima da “máfia da saúde”, começou seu depoimento afirmando que está detido há 70 dias, mas, até agora, não foi chamado para se defender das acusações.

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