Bope detecta vazamento de informações para traficantes

Revelação de comandante da tropa de elite causa preocupação na CPI das Armas por mostrar deficiência de sistemas de controle da Polícia Militar

Após o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, tenente-coronel Carlos Eduardo Sarmento, afirmar que detectou, em 2015, um esquema de vazamento de informações de ações da tropa de elite para traficantes, o presidente da CPI das Armas da Alerj, deputado Carlos Minc, disse ter sido mais um indicativo da “grande fragilidade” dos sistemas de controle das operações e do armamento da Polícia Militar.

No mesmo Bope, houve um episódio, anterior à gestão de Sarmento, que assumiu a unidade em maio de 2015, de um sargento que dava treinamento de tiro a traficantes do Complexo da Maré . Segundo o tenente-coronel Sarmento, o caso está sob investigação da Corregedoria-Geral da PM.

Preocupado com as duas informações, Minc lembrou que, assim como ocorreu no Bope, outra unidade de elite da PM já demonstrara fragilidade em seus sistemas de controle. Em outubro de 2014, 29 armas foram roubadas de paiol do Batalhão de Choque, e, até agora, ninguém foi punido nem qualquer arma recuperada.

“Estamos constatando uma grande vulnerabilidade nos sistemas de controle, mesmo em unidades de elite da PM”, disse Minc, lembrando que Sarmento reconheceu ainda que o controle do uso de armamento pela tropa continua sendo feito por livros, e que, apenas semanalmente, os dados são enviados para o Sistema de Material Bélico, o SisMatBel, que é informatizado.

Segundo o tenente-coronel Sarmento, ao assumir o Bope, começou a perceber que algumas operações da unidade não davam em nada, pois não eram encontrados traficantes. Ao trabalhar então em conjunto com o setor de Inteligência da PM, descobriu militares envolvidos em vazamentos de informações. Em dezembro passado, esses PMs foram presos, “e estão respondendo na Justiça”. Minc e o relator da CPI, deputado Luiz Martins, se preocuparam com o fato de estarmos perdendo a guerra da Inteligência para os cartéis do crime.

Por sua vez, o atual comandante do Bope negou reportagens que noticiavam que, em operação do Bope contra traficantes do Morro da Covanca, na Zona Oeste, acabaram sumindo um fuzil e R$ 15 milhões que haviam sido apreendidos. Segundo Sarmento, apenas na casa de um soldado foram encontrada pistolas e granadas da PM.

Em função das informações, Minc e Luiz Martins decidiram pedir explicações sobre as investigações em curso para a Corregedoria-Geral da PM. Minc disse que sugestões de aperfeiçoamento do controle do armamento da PM – que foram bem recebidas pelo tenente-coronel Sarmento – serão incorporadas no relatório final da CPI, como a colocação de chips de controle nas armas, lacre nas armas apreendidas, BO (Boletim de Ocorrência) eletrônico, como em Santa Catarina, e a adoção do acautelamento (como é praticado em São Paulo), em que os policiais militares ficam com suas pistolas ao longo da carreira, sem precisar devolvê-las no dia a dia.

Os deputados da CPI das Armas acataram as explicações do comandante do Bope sobre o alto gasto de munições pelo batalhão. Em 2015, o Bope foi uma das quatros unidades da PM que mais dispararam tiros: 59.790 em treinamento e 6.874 em serviço. Segundo Sarmento, além de duas operações que envolveram grandes confrontos com traficantes, a unidade gasta muito em treinamento porque dá instruções de tiros a soldados de todas as UPPs, e não apenas do Bope.

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