Rio concentra 50% dos roubos de encomendas em todo o país  

Percentual foi apresentado em audiência na Alerj que debateu cumprimento de lei que garante entrega de mercadoria perto da casa de consumidor

O serviço de entregas de mercadorias no Estado do Rio de Janeiro tem sido motivo de diversos transtornos aos consumidores, que têm que se deslocar por longas distâncias para receber suas encomendas, por algumas áreas serem consideradas de risco. Um deles é o alto percentual de encomendas que acabam não sendo entregues: segundo levantamento da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, enquanto 11% das encomendas no país ocorrem no Estado do Rio de Janeiro, cerca de 50% dos roubos de carga de mercadorias acontecem na Região Metropolitana do Rio.

Os dados surpreendentes foram apresentados hoje (2/5), em audiência pública realizada pelas comissões do Cumpra-se! e de Defesa do Consumidor da Alerj, pelo diretor regional dos Correios, Éverton Machado, que se comprometeu em cumprir, sete meses, a lei estadual 7109/2015, do deputado Carlos  Minc, que determina que a entrega dasmercadorias seja feita na residência ou em outro local designado pelo consumidor – e, havendo qualquer restrição na entrega, na agência mais próxima.

E para agilizar mais ainda o processo de entrega, Machado afirmou que existem planos de ampliação do número de Centros de Entrega de Encomendas (CEE).

“O número de roubos no Rio é alarmante! Temos que ser insistentes e persistentes, e vamos trabalhar com esse prazo de sete meses para que a lei seja cumprida. Consumidor: olho vivo, denuncie, você tem o direito!”, disse o presidente da Comissão do Cumpra-se!, deputado Minc.

“Tenho 25 anos de empresa e nunca vi um serviço dos Correios ser debatido. Estamos desde 2011 sem concurso, trabalhando há dois anos sem escolta – período com maior número de assaltos registrados – e com um déficit de 900 funcionários. Isso tudo gera a quebra da qualidade do serviço! Hoje, cerca de 150 funcionários estão afastados por traumas psicológicos em decorrência de sequestros relâmpagos sofridos. A assistência social prestada pela empresa é falha! Defendemos os Correios como uma empresa pública, somos contra a terceirização”, disse Ronaldo Martins, secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro.

Segundo o delegado Hilton Coelho, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (Delepat), da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal, os Correios passaram de transportadora de encomendas para transportadora de valores, e a terceirização fragiliza a ação da PF.

“Em 2014, realizamos uma operação em que o preso, por repassar informações sigilosas, era um funcionário terceirizado da empresa. Ou seja, o vínculo temporário agrava mais a situação, pois o funcionário que está de passagem “não veste a camisa” da empresa”, disse o delegado.

Por medo de assaltos, segundo o sindicato da categoria, cerca de 1.300 funcionários se demitiram da empresa através do Plano de Demissão Voluntária (PDV).

Segundo a procuradora do Ministério Público Federal Ana Cristina Bandeira Lins a falta de entrega de mercadorias se agrava quando as encomendas deixam de ser entregues em áreas que passam a ser consideradas de risco temporárias por parte dos Correios, sem que essa informação chegue ao contratante e ao consumidor.

“Eles mudam por um período essas áreas. A empresa deveria exigir do fornecedor que, no momento da compra, inclua o CEP informando caso o local seja área de risco. Das reclamações que recebemos, cerca de 20% são relacionadas aos Correios, dos quais, a maioria são por falta de entrega de mercadorias”, disse.

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